{"id":2809,"date":"2017-11-09T20:26:33","date_gmt":"2017-11-09T22:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=2809"},"modified":"2025-10-09T12:23:31","modified_gmt":"2025-10-09T15:23:31","slug":"voce-tem-o-seu-medico-de-confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/voce-tem-o-seu-medico-de-confianca\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea tem o seu m\u00e9dico de confian\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_1923473821373537336yiv0499019437yui_3_16_0_ym19_1_1510051909474_15481\" dir=\"ltr\">\n<p>Antigamente, o mesmo m\u00e9dico que fazia cirurgias, fazia tamb\u00e9m partos, e ainda cuidava dos problemas cl\u00ednicos e mentais de adultos e crian\u00e7as. N\u00f3s que vivemos no mundo contempor\u00e2neo das especialidades m\u00e9dicas, olhamos para tr\u00e1s e ficamos at\u00e9 curiosos em imaginar como \u00e9 que funcionava a cabe\u00e7a de um m\u00e9dico que tinha que abra\u00e7ar responsabilidades t\u00e3o diferentes. Meu av\u00f4, Dr. Alu\u00edzio Teixeira, foi uma dessas personalidades, tratou de tudo um pouco. Fez o parto dos pr\u00f3prios filhos, mas infelizmente n\u00e3o tive a oportunidade de conversar com ele sobre essas coisas, pois meu papo com ele se resumia em lhe pedir biscoitos de uma lata de alum\u00ednio que ficava na prateleira mais alta do arm\u00e1rio. Covardia\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar que a incorpora\u00e7\u00e3o da tecnologia \u00e0 medicina trouxe consigo um processo de desumaniza\u00e7\u00e3o, de despersonaliza\u00e7\u00e3o, em que o m\u00e9dico quer saber da doen\u00e7a, mas muito pouco da pessoa doente. Muitos daqueles que procuram ajuda m\u00e9dica tamb\u00e9m j\u00e1 absorveram uma cultura de tecnologia da sa\u00fade que por vezes chega a dificultar a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. O m\u00e9dico pode dar um diagn\u00f3stico correto, mas \u00e9 freq\u00fcente o paciente s\u00f3 se convencer do diagn\u00f3stico quando um m\u00e9todo gr\u00e1fico confirma as palavras do m\u00e9dico. A situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais dif\u00edcil no caso de doen\u00e7as em que o diagn\u00f3stico \u00e9 absolutamente cl\u00ednico, como \u00e9 o caso das doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, fibromialgia, enxaqueca, e tantas outras. N\u00e3o tem jeito de fotografar estas doen\u00e7as. Tamb\u00e9m \u00e9 freq\u00fcente, numa primeira consulta, o paciente antes mesmo de falar sobre ele e suas queixas colocar sobre a mesa uma pilha de exames solicitando um parecer sobre as fotos e medidas dos seus \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>A medicina como neg\u00f3cio pode dificultar ainda mais uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente ideal. O m\u00e9dico por um lado \u00e9 influenciado pelo potencial retorno financeiro que o paciente tem a oferecer ou n\u00e3o. Isso pode funcionar como o gar\u00e7om de um restaurante que trata melhor determinado cliente, pois sabe que ele d\u00e1 gorjetas caprichadas. Por outro lado, o paciente tamb\u00e9m pode ter uma rela\u00e7\u00e3o com o m\u00e9dico influenciada pela ideia de neg\u00f3cio, e inconscientemente age como se estivesse consumindo um produto. Se a comida no restaurante atrasa um pouco, o consumidor pode exigir pressa, at\u00e9 de forma mal-educada, e pode ser que a comida chegue \u00e0 mesa de forma mais r\u00e1pida e com a mesma qualidade. \u00c9 dif\u00edcil imaginar que um m\u00e9dico consiga oferecer o mesmo n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o a um paciente que j\u00e1 entra no consult\u00f3rio de forma r\u00edspida cobrando seus direitos de consumidor. Isso faz com que o encontro entre m\u00e9dico e paciente deixe de ser um momento de algu\u00e9m precisando de ajuda e o outro preparado e dispon\u00edvel a ajudar.<\/p>\n<p>A chance de sucesso do encontro entre m\u00e9dico e paciente \u00e9 ainda menor quando a escolha do m\u00e9dico \u00e9 baseada no caderninho das operadoras de sa\u00fade. Os usu\u00e1rios esfor\u00e7am-se para acertar o especialista que cuidar\u00e3o melhor de suas queixas e freq\u00fcentemente escolhem o especialista errado. Ali\u00e1s, \u00e9 bem mais comum as pessoas contratarem um marceneiro para fazer um m\u00f3vel por indica\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m do que por uma escolha aleat\u00f3ria na lista telef\u00f4nica. A indica\u00e7\u00e3o de um arquiteto costuma ser mais certeira que a de um amigo ou parente, j\u00e1 que eles t\u00eam mais cr\u00edtica do desempenho de profissionais que atuam na sua \u00e1rea. Por essas e por outras, eu sempre incentivo as pessoas a terem um m\u00e9dico de confian\u00e7a e que ele seja o primeiro a ser procurado quando surge alguma nova queixa de sa\u00fade. Se ele n\u00e3o conseguir diagnosticar e tratar o problema, ele saber\u00e1 indicar o especialista certo e de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>A tecnologia m\u00e9dica n\u00e3o reduziu em nada a import\u00e2ncia de m\u00e9dicos generalistas como os cl\u00ednicos gerais, geriatras, pediatras e m\u00e9dicos de fam\u00edlia. Muito pelo contr\u00e1rio, a tecnologia tem os tornado ainda mais completos. Profissionais bem formados nessas \u00e1reas e que inspiram confian\u00e7a s\u00e3o \u00f3timas op\u00e7\u00f5es para assumir o papel de m\u00e9dico de refer\u00eancia, mas especialistas de \u00e1reas cl\u00ednicas tamb\u00e9m podem desempenhar bem essa fun\u00e7\u00e3o (ex: gastroenterologistas, infectologistas, endocrinologistas, cardiologistas, nefrologistas, neurologistas, oncologistas).<\/p>\n<p>E ent\u00e3o? Voc\u00ea j\u00e1 tem o seu m\u00e9dico de confian\u00e7a?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antigamente, o mesmo m\u00e9dico que fazia cirurgias, fazia tamb\u00e9m partos, e ainda cuidava dos problemas cl\u00ednicos e mentais de adultos e crian\u00e7as. 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