{"id":3167,"date":"2019-05-17T20:12:43","date_gmt":"2019-05-17T23:12:43","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3167"},"modified":"2025-10-09T12:26:14","modified_gmt":"2025-10-09T15:26:14","slug":"a-cor-da-inveja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/a-cor-da-inveja\/","title":{"rendered":"Qual a cor da sua inveja? Branca ou marrom?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_1923473821373537336yiv0499019437yui_3_16_0_ym19_1_1510051909474_15481\" dir=\"ltr\">\r\n<div id=\"m_-6509473912224149995yui_3_16_0_ym19_1_1524052754478_73938\">\r\n<p>Situa\u00e7\u00f5es competitivas podem gerar sentimentos positivos de identifica\u00e7\u00e3o com outros membros do grupo capazes de gerar alian\u00e7as, mas podem tamb\u00e9m estimular sentimentos como a inveja e at\u00e9 mesmo satisfa\u00e7\u00e3o com o infort\u00fanio dos outros. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja \u00e9 humano, gozar do infort\u00fanio dos outros \u00e9 diab\u00f3lico.<\/p>\r\n<p>Atualmente reconhece-se que h\u00e1 dois tipos de inveja: uma benigna e outra maliciosa. No caso da inveja benigna, o que \u00e9 invejado \u00e9 uma coisa, como o carr\u00e3o novo do vizinho. Essa inveja tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como inveja branca. No caso da inveja maliciosa, a inveja \u00e9 de uma pessoa e n\u00e3o da coisa em si. Essa \u00e9 a inveja marrom.<\/p>\r\n<p>Temos evid\u00eancias de que quando a inveja \u00e9 mais focada na pessoa do que na coisa, ela vem frequentemente acompanhada do sentimento que a l\u00edngua alem\u00e3 chama de \u201cschadenfreude\u201d \u2013 prazer pelo infort\u00fanio dos outros. Nesse caso, a depender da situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma forte presen\u00e7a de desumaniza\u00e7\u00e3o, rivalidade ou senso de justi\u00e7a social.<\/p>\r\n<p>J\u00e1 foi demonstrado que algumas regi\u00f5es cerebrais s\u00e3o fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Pesquisadores\u00a0israelenses da Universidade de Haifa\u00a0mostraram que indiv\u00edduos que apresentam les\u00f5es cerebrais nas regi\u00f5es frontal e parietal t\u00eam reduzida capacidade de sentir inveja ou prazer com o infort\u00fanio alheio em testes psicol\u00f3gicos que simulam esses sentimentos.<\/p>\r\n<p>Pesquisadores japoneses apontaram que as mesmas \u00e1reas cerebrais ativadas no processo de dor f\u00edsica s\u00e3o ativadas tamb\u00e9m em testes psicol\u00f3gicos que envolvem a \u201cdor\u201d de assistir o sucesso do outro. Mostraram ainda que testes psicol\u00f3gicos que envolvem a percep\u00e7\u00e3o do infort\u00fanio alheio ativam o mesmo circuito de recompensa cerebral que \u00e9 ativado quando experimentamos situa\u00e7\u00f5es prazerosas como comer uma barra de chocolate.\u00a0Ambientes de trabalho competitivos s\u00e3o palcos prop\u00edcios para a express\u00e3o desses sentimentos que podem ser vistos como o \u201cdark side\u201d da experi\u00eancia humana. Uma dica valiosa para um l\u00edder de equipe \u00e9 priorizar incentivos para o grupo e n\u00e3o para os indiv\u00edduos isoladamente.<\/p>\r\n<p>O comportamento animal \u00e9 recheado de atributos competitivos como a disputa por territ\u00f3rio, parceiros sexuais e alimentos. A neuroci\u00eancia tem-nos mostrado que n\u00e3o somos t\u00e3o diferentes assim e cada um de n\u00f3s carrega diferentes graus desses instintos arcaicos.\u00a0Desde que bem dosados, ci\u00fame, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infort\u00fanio dos outros, n\u00e3o devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repert\u00f3rio que colaborou\u00a0sobremaneira para o sucesso da esp\u00e9cie, e ainda deve colaborar em certo grau.<br \/><br \/>Por Dr. Ricardo Teixeira<\/p>\r\n<\/div>\r\n<div id=\"m_-6509473912224149995yui_3_16_0_ym19_1_1524052754478_73939\" dir=\"ltr\">\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<\/div>\r\n<div dir=\"ltr\">\u00a0<\/div>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Situa\u00e7\u00f5es competitivas podem gerar sentimentos positivos de identifica\u00e7\u00e3o com outros membros do grupo capazes de gerar alian\u00e7as, mas podem tamb\u00e9m estimular sentimentos como a inveja e at\u00e9 mesmo satisfa\u00e7\u00e3o com o infort\u00fanio dos outros. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja \u00e9 humano, gozar do infort\u00fanio dos outros \u00e9 diab\u00f3lico. 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