{"id":3378,"date":"2020-01-28T09:58:00","date_gmt":"2020-01-28T12:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3378"},"modified":"2025-10-08T19:35:25","modified_gmt":"2025-10-08T22:35:25","slug":"nosso-cerebro-nao-ve-sentindo-em-viver-sem-atividade-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/nosso-cerebro-nao-ve-sentindo-em-viver-sem-atividade-fisica\/","title":{"rendered":"Nosso c\u00e9rebro n\u00e3o v\u00ea sentindo em viver sem atividade f\u00edsica"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">A atividade f\u00edsica demanda do c\u00e9rebro m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es de ajuste, como a modula\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio, navega\u00e7\u00e3o espacial e aten\u00e7\u00e3o, que em \u00faltima inst\u00e2ncia fazem o c\u00e9rebro trabalhar para valer.<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\n<div id=\"m_-7450384693358708446yui_3_16_0_ym19_1_1544720410947_10202\">\n<div id=\"m_8750881895888949282yui_3_16_0_ym19_1_1545217470701_39767\">\n<div id=\"m_7391277005513296197yui_3_16_0_ym19_1_1556798451650_5046\">\n<div id=\"m_-3554159702068191424yui_3_16_0_ym19_1_1557317084632_47231\">\n<div>\n<div class=\"m_-8533770307921998455ydp5cd5f349yiv9820892364ydp54962a83post-content\">\n<div>\n<p>J\u00e1 \u00e9 bem reconhecido que a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos est\u00e1 associada a um menor risco de doen\u00e7as cardiovasculares (infarto do cora\u00e7\u00e3o e derrame cerebral), de alguns tipos de c\u00e2ncer (ex: mama, coloretal), transtornos mentais (ex: depress\u00e3o, ansiedade), e est\u00e1 associada tamb\u00e9m a uma maior longevidade. Se tivermos que escolher uma \u00fanica atitude saud\u00e1vel na vida para alcan\u00e7armos a longevidade com qualidade de vida, a pr\u00e1tica regular de exerc\u00edcios aer\u00f3bicos talvez seja a mais significativa.<\/p>\n<p>Para se ter ideia do tamanho do efeito da atividade f\u00edsica aer\u00f3bica sobre a longevidade vale a pena conhecer os resultados de um dos mais robustos e recentes estudos sobre o tema publicado em 2008. A pesquisa foi iniciada em 1984 quando mais de 500 membros de uma associa\u00e7\u00e3o de corredores de rua com mais de 50 anos de idade passaram a ser acompanhados anualmente. O grupo de corredores foi comparado a um grupo controle de semelhante faixa et\u00e1ria. Ao final de 21 anos de acompanhamento os resultados foram os seguintes: 1) a atividade f\u00edsica entre os corredores foi cerca de tr\u00eas vezes mais intensa ao longo de todo o estudo; 2) houve decl\u00ednio da capacidade funcional ao longo dos anos em ambos os grupos, mas de forma menos relevante entre os corredores; 3) ap\u00f3s 19 anos de acompanhamento, 34% dos indiv\u00edduos do grupo controle havia morrido, comparado a apenas 15% dos corredores; 4) os corredores apresentaram menor mortalidade n\u00e3o s\u00f3 por doen\u00e7as cardiovasculares, mas tamb\u00e9m por c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Como se isso tudo j\u00e1 n\u00e3o fosse o bastante, a cada dia temos mais evid\u00eancias de que o c\u00e9rebro tamb\u00e9m lucra com o h\u00e1bito da atividade f\u00edsica regular. E o benef\u00edcio ao c\u00e9rebro j\u00e1 come\u00e7a em idades precoces. Pesquisas demonstram que \u00e9 maior o desempenho intelectual de crian\u00e7as e adolescentes que praticam atividade f\u00edsica regular. Ao contr\u00e1rio do que j\u00e1 se chegou a cogitar, o tempo gasto com atividade f\u00edsica na escola promove mais sucesso acad\u00eamico do que se o jovem direcionasse esse tempo de atividade f\u00edsica para mais atividades na sala de aula.<\/p>\n<p>Os efeitos da atividade f\u00edsica tamb\u00e9m t\u00eam sido muito bem estudados no processo de envelhecimento cerebral sugerindo um efeito neuroprotetor. Uma s\u00e9rie de pesquisas tem revelado que a atividade f\u00edsica em idosos melhora o desempenho cognitivo e os efeitos positivos podem ser observados em diversas dimens\u00f5es da cogni\u00e7\u00e3o e de forma mais marcante sobre as fun\u00e7\u00f5es executivas que incluem, por exemplo, a mem\u00f3ria operacional (de curto prazo), a capacidade de planejamento, de tomada de decis\u00e3o e de dar aten\u00e7\u00e3o a mais de uma coisa ao mesmo tempo. J\u00e1 dispomos tamb\u00e9m de um bom corpo de evid\u00eancias de que a atividade f\u00edsica em idosos reduz o risco de desenvolver a Doen\u00e7a de Alzheimer e a Dem\u00eancia Vascular, ou pelo menos adia seu aparecimento.<\/p>\n<p>Os efeitos positivos da atividade f\u00edsica sobre o c\u00e9rebro tamb\u00e9m j\u00e1 foram demonstrados atrav\u00e9s de vari\u00e1veis fisiol\u00f3gicas que v\u00e3o desde o aumento da perfus\u00e3o sangu\u00ednea, metabolismo e tamanho do c\u00e9rebro em determinadas regi\u00f5es, at\u00e9 a modula\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria atividade el\u00e9trica. Em animais as pesquisas chegam ao n\u00edvel celular e molecular. Ratinhos que se exercitam criam novos neur\u00f4nios e conex\u00f5es em uma das regi\u00f5es mais importantes do c\u00e9rebro no que se refere \u00e0 mem\u00f3ria: o hipocampo. Novos vasos sangu\u00edneos tamb\u00e9m s\u00e3o criados no hipocampo assim como em outras regi\u00f5es cerebrais. O exerc\u00edcio estimula tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o do Fator Neurotr\u00f3fico Derivado do C\u00e9rebro, e isso j\u00e1 foi demonstrado tamb\u00e9m em humanos, que \u00e9 respons\u00e1vel pela sa\u00fade dos neur\u00f4nios e est\u00e1 associado \u00e0 capacidade de aprendizado e mem\u00f3ria. At\u00e9 mesmo ratinhos rec\u00e9m-nascidos de m\u00e3es que se exercitaram durante a gravidez t\u00eam mais neur\u00f4nios no hipocampo do que aqueles de m\u00e3es sedent\u00e1rias. Para quem n\u00e3o sabe, uma das primeiras regi\u00f5es cerebrais afetadas pela Doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 o hipocampo, doen\u00e7a que promove redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de neur\u00f4nios dessa regi\u00e3o. Teoricamente, um indiv\u00edduo que se exercita, mesmo que desenvolva a Doen\u00e7a de Alzheimer, deve demorar mais para come\u00e7ar a apresentar sintomas j\u00e1 que tem uma reserva cerebral maior.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio f\u00edsico ainda \u00e9 capaz de promover ativa\u00e7\u00e3o de secre\u00e7\u00e3o de diversas subst\u00e2ncias no c\u00e9rebro como endorfina e endocanabin\u00f3ides, que podem provocar, al\u00e9m do efeito imediato de euforia e redu\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o de dor, tamb\u00e9m uma modula\u00e7\u00e3o do funcionamento qu\u00edmico do c\u00e9rebro de forma mais sustentada. Essa \u00e9 uma das formas de explicar resultados de pesquisas que mostram que a atividade f\u00edsica tem o poder de reduzir a chance de uma pessoa vir a desenvolver depress\u00e3o. O interessante desses estudos \u00e9 que esse poder \u00e9 bem mais robusto no caso da atividade f\u00edsica associada ao lazer do que associada ao trabalho. Sabemos que o lazer, independente de estarmos nos mexendo, por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 capaz de recompensar quimicamente o c\u00e9rebro levando ao bem-estar ps\u00edquico, e um dos componentes que ajudam a ativar esse bem-estar \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o social que boa parte das atividades de esporte e lazer promove.<\/p>\n<p>Desde a Gr\u00e9cia antiga defende-se a ideia de interdepend\u00eancia entre a mente e o corpo. Disse o romano Marcus Tullius C\u00edcero por volta de 65 AC: \u201c\u00c9 o exerc\u00edcio f\u00edsico que sustenta o esp\u00edrito e mant\u00e9m o vigor da mente\u201d. Hoje n\u00e3o se faz mais o mesmo tanto de atividade f\u00edsica como antigamente e a redu\u00e7\u00e3o foi mais dr\u00e1stica a partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial quando trabalho deixou de significar esfor\u00e7o f\u00edsico. O fato \u00e9 que nem nosso corpo nem nossa mente est\u00e3o geneticamente adaptados para viver sem atividade f\u00edsica e essa \u00e9 uma das principais explica\u00e7\u00f5es para o aumento da incid\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a obesidade e o diabetes que passam a acometer as pessoas em idades cada vez mais precoces.<\/p>\n<p>Entre tantas quest\u00f5es que a ci\u00eancia moderna ainda deve responder temos a seguinte: para o c\u00e9rebro, qual o melhor tipo, intensidade, frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio? \u00a0Ao pensar em nossa sa\u00fade como um todo, podemos nos guiar pela atual recomenda\u00e7\u00e3o de pelo menos 30 minutos de atividade moderada cinco vezes por semana. O que \u00e9 atividade moderada? Atividade que d\u00e1 at\u00e9 para fazer conversando, mas que aumenta a frequ\u00eancia card\u00edaca e faz suar a camisa! Entretanto, h\u00e1 uma forte linha de pesquisa na \u00faltima d\u00e9cada apontando que mesmo uma caminhada no parque n\u00e3o tem nada de autom\u00e1tico. A atividade f\u00edsica demanda do c\u00e9rebro m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es de ajuste, como a modula\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio e atividade muscular, planejamento e tomada de decis\u00f5es, navega\u00e7\u00e3o espacial e aten\u00e7\u00e3o, que em \u00faltima inst\u00e2ncia fazem o c\u00e9rebro trabalhar para valer. \u00a0O fato de sermos b\u00edpedes exige mais do c\u00e9rebro que nossos ancestrais quadr\u00fapedes e exerc\u00edcios que demandam mais do c\u00e9rebro s\u00e3o ainda melhores que a esteira da academia. Isso j\u00e1 foi demonstrado em roedores e at\u00e9 em humanos.<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito foto: <a href=\"https:\/\/www.freepik.com\/\">Freepik<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/cbn.globoradio.globo.com\/Player\/widget.htm?audio=3\/2020\/01\/22\/288794_20200122&amp;url=https:\/\/cbn.globoradio.globo.com\/media\/audio\/288794\/o-cerebro-humano-nao-ve-sentido-em-viver-sem-ativi.htm&amp;titulo=O%20c%C3%A9rebro%20humano%20n%C3%A3o%20v%C3%AA%20sentido%20em%20viver%20sem%20atividade%20f%C3%ADsica&amp;cat=Cuca%20Legal%20-%20Ricardo%20Teixeira\" width=\"700\" height=\"220\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atividade f\u00edsica demanda do c\u00e9rebro m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es de ajuste, como a modula\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio, navega\u00e7\u00e3o espacial e aten\u00e7\u00e3o, que em \u00faltima inst\u00e2ncia fazem o c\u00e9rebro trabalhar para valer.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4974,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5103,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions\/5103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}