{"id":3488,"date":"2020-07-28T19:07:41","date_gmt":"2020-07-28T22:07:41","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3488"},"modified":"2025-10-08T19:36:56","modified_gmt":"2025-10-08T22:36:56","slug":"doutor-posso-continuar-a-tomar-diariamente-minha-taca-de-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/doutor-posso-continuar-a-tomar-diariamente-minha-taca-de-vinho\/","title":{"rendered":"Doutor, posso continuar a tomar diariamente minha ta\u00e7a de vinho?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\"><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o muitos os estudos que apontam que o consumo leve a moderado de \u00e1lcool pode promover menor risco de algumas doen\u00e7as. Entretanto,\u00a0devemos evitar pensar no \u00e1lcool como um elemento promotor de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que muitas pessoas atravessam a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\n<div id=\"m_-7450384693358708446yui_3_16_0_ym19_1_1544720410947_10202\">\n<div id=\"m_8750881895888949282yui_3_16_0_ym19_1_1545217470701_39767\">\n<div id=\"m_7391277005513296197yui_3_16_0_ym19_1_1556798451650_5046\">\n<div id=\"m_-3554159702068191424yui_3_16_0_ym19_1_1557317084632_47231\">\n<div>\n<div class=\"m_-8533770307921998455ydp5cd5f349yiv9820892364ydp54962a83post-content\">\n<div>\n<p>No consult\u00f3rio m\u00e9dico, uma senhora que precisa de medica\u00e7\u00f5es para controlar sua press\u00e3o arterial encerra sua consulta perguntando se ela pode manter o seu h\u00e1bito de tomar uma ta\u00e7a de vinho por dia. O doutor lhe responde que n\u00e3o s\u00f3 pode como deve \u2013 \u201cMinha cara, temos acompanhado nos \u00faltimos anos uma s\u00e9rie de estudos que demonstram que o consumo moderado de \u00e1lcool reduz o risco de doen\u00e7as cardiovasculares, incluindo o infarto do cora\u00e7\u00e3o e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que n\u00e3o bebem. J\u00e1 o consumo exagerado de \u00e1lcool provoca um maior risco de doen\u00e7as cardiovasculares. Veja bem, devemos entender consumo moderado como at\u00e9 duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo di\u00e1rio e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose, mesmo que seja por apenas um dia no m\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>Essa mesma senhora ouvir\u00e1 dos m\u00e9dicos que sua ta\u00e7a de vinho \u00e9 capaz de reduzir seu risco de doen\u00e7a de Alzheimer e outros tipos de dem\u00eancia. Ouvir\u00e1 tamb\u00e9m que j\u00e1 existem estudos que demonstram que o seu h\u00e1bito tamb\u00e9m est\u00e1 associado a um envelhecimento com maior n\u00edvel de independ\u00eancia f\u00edsica e maior longevidade. As bebidas alco\u00f3licas de uma forma geral promovem esses efeitos positivos, mas o vinho tinto parece ser levemente superior, pois al\u00e9m do \u00e1lcool, ele possui outras subst\u00e2ncias protetoras como os flavonoides, incluindo o resveratrol.<\/p>\n<p>Esse discurso ainda \u00e9 controverso, especialmente quando se pensa no c\u00e9rebro. Algumas pesquisas realmente mostram que o uso moderado de \u00e1lcool reduz o risco das doen\u00e7as citadas acima, enquanto outras apontam na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Uma pesquisa rec\u00e9m-publicada pelo prestigiado peri\u00f3dico <i><a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamanetworkopen\/fullarticle\/2767693\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamanetworkopen\/fullarticle\/2767693&amp;source=gmail&amp;ust=1596059078625000&amp;usg=AFQjCNEnBsT2XyqKWpfemNEgCijRhmy-Rw\">JAMA<\/a><\/i>\u00a0mostrou que o consumo leve a moderado promoveu um efeito protetor das fun\u00e7\u00f5es cognitivas entre adultos de meia idade e idosos (m\u00e9dia de 61 anos de idade). Por\u00e9m outro grande\u00a0<b>\u00a0<\/b>estudo publicado pelo\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.bmj.com\/content\/bmj\/357\/bmj.j2353.full.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.bmj.com\/content\/bmj\/357\/bmj.j2353.full.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1596059078625000&amp;usg=AFQjCNHtIga24i0CbzRC7dY0jDwsIpFYfQ\">British Medical Journal<\/a>,<\/i> evidenciou que o consumo moderado afeta negativamente a estrutura cerebral assim como as fun\u00e7\u00f5es cognitivas.\u00a0O consumo leve n\u00e3o atrapalhou o c\u00e9rebro, mas tamb\u00e9m n\u00e3o trouxe benef\u00edcios. O que \u00e9 consumo leve? Duas cervejas ou 2-3 ta\u00e7as de vinho por semana.<\/p>\n<p>\u00c0 luz do conhecimento atual, recomenda-se que os m\u00e9dicos n\u00e3o indiquem o uso de \u00e1lcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doen\u00e7as. Devem recomendar \u00e0s pessoas que n\u00e3o bebem que continuem sem beber, e \u00e0s pessoas que j\u00e1 t\u00eam o h\u00e1bito de beber, que n\u00e3o ultrapassem os limites. Mas isso tamb\u00e9m est\u00e1 mudando, j\u00e1 que estudos recentes t\u00eam demonstrado que o consumo regular de \u00e1lcool, mesmo em doses leves a moderadas, est\u00e1 associado a um maior risco de diferentes tipos de c\u00e2ncer, como o de mama, orofaringe e es\u00f4fago. Por essa raz\u00e3o, em 2009 o Instituto Nacional do C\u00e2ncer da Fran\u00e7a deu in\u00edcio a uma campanha chamada \u00c1lcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose di\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 segura.<\/p>\n<p>Devemos evitar em pensar no \u00e1lcool como um elemento promotor de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pelo aumento do risco de c\u00e2ncer, mas tamb\u00e9m porque muitas pessoas atravessam a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado \u00e9 respons\u00e1vel por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se n\u00e3o bastasse as mais de duzentas doen\u00e7as secund\u00e1rias ao \u00e1lcool, ainda temos os enormes problemas sociais que est\u00e3o associados ao seu consumo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Confira o \u00e1udio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a R\u00e1dio CBN Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3488-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/vinho_icb.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/vinho_icb.mp3\">http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/vinho_icb.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o muitos os estudos que apontam que o consumo leve a moderado de \u00e1lcool pode promover menor risco de algumas doen\u00e7as. 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