{"id":3497,"date":"2020-08-12T13:56:00","date_gmt":"2020-08-12T16:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3497"},"modified":"2025-10-08T19:40:09","modified_gmt":"2025-10-08T22:40:09","slug":"veja-a-importancia-que-as-avos-tem-para-a-especie-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/veja-a-importancia-que-as-avos-tem-para-a-especie-humana\/","title":{"rendered":"Veja a import\u00e2ncia que as av\u00f3s t\u00eam para a esp\u00e9cie humana!"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\"><span style=\"color: #000000;\">As av\u00f3s fazem diferen\u00e7a quando se pensa nas chances de uma crian\u00e7a tem de chegar \u00e0 idade adulta. Entenda aqui melhor esta hist\u00f3ria.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\n<div id=\"m_-7450384693358708446yui_3_16_0_ym19_1_1544720410947_10202\">\n<div id=\"m_8750881895888949282yui_3_16_0_ym19_1_1545217470701_39767\">\n<div id=\"m_7391277005513296197yui_3_16_0_ym19_1_1556798451650_5046\">\n<div id=\"m_-3554159702068191424yui_3_16_0_ym19_1_1557317084632_47231\">\n<div>\n<div class=\"m_-8533770307921998455ydp5cd5f349yiv9820892364ydp54962a83post-content\">\n<div>\n<p>A mulher nasce com cerca de dois milh\u00f5es de \u00f3vulos, no in\u00edcio da puberdade s\u00e3o 400 mil e apenas uma pequena parte \u00e9 usada nas ovula\u00e7\u00f5es ao longo da vida adulta. A maior parte dos \u00f3vulos degenera-se com o tempo, e quando os remanescentes passam a ser insuficientes para produzir estrog\u00eanio suficiente para manter ativo o sistema ov\u00e1rio-c\u00e9rebro (ov\u00e1rio-hip\u00f3fise-hipot\u00e1lamo), a mulher n\u00e3o mais menstrua. Diferente das mulheres, a grande maioria das f\u00eameas no mundo animal continua f\u00e9rtil at\u00e9 o fim da vida e n\u00e3o sabe o que \u00e9 menopausa. Duas exce\u00e7\u00f5es conhecidas s\u00e3o algumas esp\u00e9cies de baleias e elefantes.<\/p>\n<p>Elegantes linhas de pesquisa t\u00eam compreendido a menopausa nas mulheres como uma vantagem evolutiva, ou seja, ela aumentaria as chances da esp\u00e9cie em gerar descendentes, perpetuando assim seus genes. A menopausa serviria como um fator de prote\u00e7\u00e3o tanto para as m\u00e3es como para os filhos. Mas de que maneira?<\/p>\n<p>As mulheres contempor\u00e2neas vivem uma condi\u00e7\u00e3o muito recente na sua hist\u00f3ria evolutiva que \u00e9 o grande n\u00famero de ciclos ovulat\u00f3rios ao longo da vida, pois come\u00e7am a ter seus filhos tardiamente, e poucos filhos. Essa frequ\u00eancia maior de ovula\u00e7\u00f5es faz com que a mulher seja muito mais exposta \u00e0s eleva\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas de estrog\u00eanio, o que j\u00e1 sabemos que aumenta o risco de doen\u00e7as como o c\u00e2ncer de mama. A menopausa pode ser vista como uma resposta adaptativa evitando que a mulher chegue aos 80 anos de idade com o mesmo n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o ao estrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Outra vantagem da mulher n\u00e3o continuar f\u00e9rtil em idades mais avan\u00e7adas \u00e9 a de que assim os filhos poder\u00e3o contar com suas m\u00e3es vivas nos seus primeiros anos de vida e pesquisas nos confirmam que isso aumenta a chance de uma crian\u00e7a chegar \u00e0 idade adulta. Al\u00e9m disso, os \u00f3vulos de mulheres mais maduras t\u00eam mais chances de serem defeituosos, e caso fossem fertilizados, haveria maior risco de gerar anormalidades cromoss\u00f4micas (ex: S\u00edndrome de Down) e rec\u00e9m-nascidos de baixo peso ou prematuros.<\/p>\n<p>Por essas e outras raz\u00f5es a natureza foi s\u00e1bia em fazer com que as mulheres a partir de certa idade fossem mais \u00fateis \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ao investir energia para a sobreviv\u00eancia de filhos que n\u00e3o precisassem gerar: seus pr\u00f3prios netos. Esse conceito \u00e9 bem conhecido pela ci\u00eancia como \u201cHip\u00f3tese Av\u00f3\u201d, onde a av\u00f3 colabora n\u00e3o s\u00f3 com conhecimento, mas tamb\u00e9m colocando a m\u00e3o na massa, aumentando a chance de seus netos sobreviverem. Em contraste, na maior parte das esp\u00e9cies animais, o mais comum \u00e9 que os filhos em idades pr\u00e9-reprodutivas colaborem com as m\u00e3es aumentando o sucesso de gera\u00e7\u00e3o de novos irm\u00e3ozinhos. Al\u00e9m de suporte aos netos, a \u201cHip\u00f3tese Av\u00f3\u201d contempla tamb\u00e9m a menopausa como fator que evita a competi\u00e7\u00e3o reprodutiva entre gera\u00e7\u00f5es na esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Um dos estudos mais importantes sobre o tema foi publicado na respeitada revista cient\u00edfica <i>Nature<\/i> no ano de 2004. Os pesquisadores avaliaram dados hist\u00f3ricos demogr\u00e1ficos de popula\u00e7\u00f5es canadenses e finlandesas do s\u00e9culo XIX e evidenciaram que tanto mulheres como homens que tinham m\u00e3es que viveram mais ap\u00f3s os 50 anos de idade tiveram seus filhos mais precocemente, intervalos mais curtos entre o nascimento dos diferentes filhos e uma maior chance de que eles chegassem \u00e0 idade adulta. Al\u00e9m disso, as mulheres que moravam longe das m\u00e3es tinham menos filhos quando comparadas \u00e0quelas que moravam na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma vila. O efeito positivo da av\u00f3 foi mais pronunciado ainda quando a av\u00f3 tinha menos de 60 anos de idade quando do nascimento de seu neto. Um dos resultados mais importantes do estudo foi o de que a presen\u00e7a da av\u00f3 foi relevante na sobrevida dos netos entre os tr\u00eas e cinco anos de idade, mas n\u00e3o nos primeiros dois anos de vida (per\u00edodo da amamenta\u00e7\u00e3o), refor\u00e7ando a ideia de que o \u201cefeito av\u00f3\u201d existe independentemente das peculiaridades gen\u00e9ticas dos netos ou do desempenho das m\u00e3es. E os resultados n\u00e3o foram diferentes entre as duas popula\u00e7\u00f5es estudadas: canadenses e finlandeses.<\/p>\n<p>O que dizer sobre as av\u00f3s no s\u00e9culo XXI? Nas \u00faltimas d\u00e9cadas podemos perceber uma mudan\u00e7a no papel dos av\u00f3s em nossa sociedade, muitos deles passando a desempenhar o papel de pais. Podemos identificar um crescimento no n\u00famero de lares em que tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es convivem: pais, netos e av\u00f3s. Cresce tamb\u00e9m o n\u00famero de lares em que os av\u00f3s cuidam plenamente de seus netos com os pais morando em outro domic\u00edlio. Lopes, Neri e Park (2005) listaram alguns fatores que colaboram para esses padr\u00f5es de estrutura familiar: a) inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho com maior dificuldade em cuidar dos filhos; b) dificuldade econ\u00f4mica por parte dos pais, e necessidade de apoio dos av\u00f3s; c) dissolu\u00e7\u00e3o de casamentos com retorno, geralmente da mulher, \u00e0 casa dos pais; d) gravidez precoce e despreparo para cuidar dos filhos; e) morte precoce dos pais; f) incapacidade f\u00edsica ou emocional dos pais.<\/p>\n<p>Esses modelos de organiza\u00e7\u00e3o familiar em que os av\u00f3s assumem o papel de \u201cav\u00f3s em tempo integral\u201d podem estar associados a benef\u00edcios, mas tamb\u00e9m a dificuldades, tanto para as crian\u00e7as como para os av\u00f3s. Os av\u00f3s podem se sentir realizados, menos s\u00f3s e com maior autoestima por assumirem a responsabilidade dos netos, mas por outro lado podem estar sendo submetidos a uma sobrecarga de fun\u00e7\u00f5es que em alguns casos n\u00e3o s\u00e3o mais compat\u00edveis com os estados de sa\u00fade f\u00edsica e financeira comuns entre muitos idosos. No Brasil n\u00e3o dispomos de dados que nos mostrem qual a porcentagem de lares em que se pode encontrar esse papel expandido dos av\u00f3s, mas sabemos que 20% dos lares brasileiros t\u00eam idosos como chefes de fam\u00edlia e cerca de um ter\u00e7o desses lares \u00e9 composto por casal e\/ou parentes (IBGE, 2002). Ao cruzarmos esses dados com o percentual de apenas 15% das crian\u00e7as na fase pr\u00e9-escolar que frequenta creches ou escolas, e a crescente participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds superando a marca dos 50%, podemos imaginar que nossos av\u00f3s brasileiros devam estar participando de forma significativa na cria\u00e7\u00e3o de seus netos.<\/p>\n<p>A \u201cHip\u00f3tese Av\u00f3\u201d \u00e9 bem reconhecida pela ci\u00eancia como o meio pelo qual a evolu\u00e7\u00e3o permitiu que as mulheres ao amadurecerem fossem av\u00f3s e n\u00e3o m\u00e3es de novas crian\u00e7as. Hoje em dia cresce o papel de av\u00f3s como tutores dos netos, mas h\u00e1 tamb\u00e9m o outro lado da moeda: h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que os av\u00f3s entram em conflito com os pais por ultrapassarem os limites de interfer\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o dos netos sem a concord\u00e2ncia dos pais. Usando o bom senso a chance de sucesso \u00e9 grande: av\u00f3 tem que ser av\u00f3 e m\u00e3e tem que ser m\u00e3e.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Confira o \u00e1udio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a R\u00e1dio CBN Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3497-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/avos.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/avos.mp3\">http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/avos.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As av\u00f3s fazem diferen\u00e7a quando se pensa nas chances de uma crian\u00e7a tem de chegar \u00e0 idade adulta. 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