{"id":3737,"date":"2021-11-01T17:29:01","date_gmt":"2021-11-01T20:29:01","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3737"},"modified":"2025-10-08T19:51:27","modified_gmt":"2025-10-08T22:51:27","slug":"o-ser-humano-e-altruista-por-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/o-ser-humano-e-altruista-por-natureza\/","title":{"rendered":"O ser humano \u00e9 altru\u00edsta por natureza"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<p>Pesquisas nos mostram que o ser humano tem sim uma tend\u00eancia inata de coopera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 claro que a m\u00e1xima de <strong>Jean-Jacques Rousseau<\/strong> ainda \u00e9 v\u00e1lida: <strong>\u201co ser humano nasce bom, a sociedade o corrompe\u201d<\/strong>.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><!--more--><\/p>\r\n<div><hr \/>A resposta \u00e9 sim e j\u00e1 come\u00e7a na inf\u00e2ncia. Crian\u00e7as entre 7 e 8 anos de idade j\u00e1 s\u00e3o capazes de dividir seu alimento de forma igualit\u00e1ria com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando t\u00eam a chance de ficar com a maior parte. A isso se d\u00e1 o nome de altru\u00edsmo \u201cextra-paroquial\u201d, a capacidade de criar e manter la\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos que n\u00e3o s\u00e3o de seu mesmo n\u00facleo familiar e \u00e9 uma das mais marcantes habilidades do ser humano e n\u00e3o encontrada em outras esp\u00e9cies. Crian\u00e7as ainda apresentaram avers\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es em que a divis\u00e3o \u00e9 feita com desigualdade e o altru\u00edsmo \u00e9 independente do efeito reputa\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o fazem o bem porque tem gente olhando e porque a a\u00e7\u00e3o poderia trazer benef\u00edcios futuros.<br \/><br \/>O altru\u00edsmo nos deixa mais feliz<br \/>Pesquisas que analisam atitudes no dia a dia que promovem uma maior satisfa\u00e7\u00e3o com a vida, apontam que o altru\u00edsmo junto ao otimismo e a gratid\u00e3o s\u00e3o fortes alavancas para termos uma vida feliz.<br \/><br \/>A jornalista Emily Esfahani Smith, autora do livro Power of a Meaning, Editora Crown, New York, chama nossa aten\u00e7\u00e3o para que nossa vida seja cheia de sentido, e n\u00e3o simplesmente cheia de felicidade.<br \/><br \/>Ser feliz? Todo mundo quer, mas ser\u00e1 que a miss\u00e3o de encontrar a felicidade, fortemente estimulada pela ind\u00fastria da autoajuda, n\u00e3o tem deixado as pessoas mais vazias, infelizes? Ela prop\u00f5e que desviemos o foco da felicidade para uma vida cheia de sentido, vida dedicada a algo maior do que o eu. Um dos passos fundamentais para a publica\u00e7\u00e3o do livro foi seu artigo escrito em 2013 na revista americana The Atlantic : H\u00e1 muito mais para a vida do que ser feliz. Esfahani provoca a reflex\u00e3o de que a empreitada de encontrar a felicidade traz consigo um modelo de retirada. Isso \u00e9 diferente no caso da busca por uma vida que fa\u00e7a sentido em que o pilar mais forte \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o, o altru\u00edsmo.<br \/><br \/>Existem falsos substitutos para esse sentido, criando uma sociedade com um v\u00e1cuo existencial. A tecnologia nos ajuda e ajudar\u00e1 muito mais, mas ela tamb\u00e9m tem seu lado negro. Para termos uma vida com sentido precisamos ser conscientes e presentes. Dif\u00edcil imaginar isso nutrindo a mente e o c\u00e9rebro com est\u00edmulos a conta-gotas que prevalecem nas plataformas das redes sociais. A felicidade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o fluida, ef\u00eamera. A percep\u00e7\u00e3o de sentido na vida \u00e9 duradoura.<br \/><br \/>A prestigiada revista Nature Communication publicou um estudo que mostra como a\u00e7\u00f5es altru\u00edstas estimulam regi\u00f5es do nosso c\u00e9rebro que conectam o efeito do altru\u00edsmo (regi\u00e3o temporo-parietal) \u00e0 nossa percep\u00e7\u00e3o de felicidade (estriado ventral). Maiores ou menores doses de altru\u00edsmo n\u00e3o fizeram diferen\u00e7a no tanto que as pessoas ficavam felizes. Mais interessante foi que a simples inten\u00e7\u00e3o de se doar ao outro j\u00e1 foi capaz de ativar essa conex\u00e3o. Altru\u00edsmo d\u00e1 um \u201cbarato\u201d que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido pelos neurocientistas como \u201cwarm glow\u201d, ou brilho quente. Outras pesquisas j\u00e1 demonstraram que esse barato \u00e9 mais duradouro para quem d\u00e1 do que para quem recebe. O interessante \u00e9 que essa sensa\u00e7\u00e3o vem acompanhada de redu\u00e7\u00e3o de atividade das am\u00edgdalas, regi\u00f5es do c\u00e9rebro associadas ao medo, luta ou fuga e isso acontece de forma mais robusta quando podemos identificar a pessoa que recebe. Menor atividade das am\u00edgdalas significa menores n\u00edveis do horm\u00f4nio do estresse cortisol e uma s\u00e9rie de potencias benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental. E temos uma s\u00e9rie de estudos que apontam uma maior sobrevida entre as pessoas que fazem trabalhos volunt\u00e1rios.<br \/>\r\n<p><strong>*Dr. Ricardo Teixeira \u00e9 neurologista e diretor cl\u00ednico do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<div>\r\n<div>\r\n<div id=\"m_5101187023913953760ydp9463ba48yiv9435451766yqtfd24449\">\u00a0<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\r\n<div>\r\n<p><strong>Confira o \u00e1udio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a R\u00e1dio CBN Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3737-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/autruismo.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/autruismo.mp3\">http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/autruismo.mp3<\/a><\/audio>\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas nos mostram que o ser humano tem sim uma tend\u00eancia inata de coopera\u00e7\u00e3o. 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