{"id":3846,"date":"2022-04-11T14:07:02","date_gmt":"2022-04-11T17:07:02","guid":{"rendered":"http:\/\/icbneuro.com.br\/?p=3846"},"modified":"2025-10-08T19:56:17","modified_gmt":"2025-10-08T22:56:17","slug":"e-so-um-hobbie-ou-ja-virou-compulsao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/e-so-um-hobbie-ou-ja-virou-compulsao\/","title":{"rendered":"\u00c9 s\u00f3 um hobbie ou j\u00e1 virou compuls\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">H\u00e1 pessoas em que sua cole\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer signific\u00e2ncia afetiva, est\u00e9tica ou de valoriza\u00e7\u00e3o financeira. Acumulam por acumular e esse comportamento est\u00e1 associado a diversas condi\u00e7\u00f5es neuropsiqui\u00e1tricas.\u00a0\u00a0<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><!--more--><\/p>\r\n<div><hr \/>\r\n<div>\r\n<div>O h\u00e1bito de colecionar coisas, mesmo as que n\u00e3o t\u00eam qualquer utilidade \u00e0 primeira vista, \u00e9 comum entre crian\u00e7as e adultos, tanto em sociedades modernas quanto em primitivas. Tal costume tamb\u00e9m \u00e9 descrito em outras esp\u00e9cies. O h\u00e1bito de estocar comida \u00e9 descrito em diversas fam\u00edlias de p\u00e1ssaros, mam\u00edferos e v\u00e1rios tipos de insetos. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comida. Alguns tipos de p\u00e1ssaros costumam juntar objetos met\u00e1licos e coloridos e hamsters preferem coletar contas de vidro.<br \/><br \/>A estocagem de alimento faz todo o sentido do ponto de vista de adapta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies como forma de prepara\u00e7\u00e3o para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e \u00e9 dif\u00edcil pensar em algu\u00e9m que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As cole\u00e7\u00f5es podem ser justificadas pelo valor est\u00e9tico e emocional dos objetos e at\u00e9 mesmo pelo valor material, como \u00e9 o caso de obras de arte.<\/div>\r\n<p>O fato \u00e9 que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, o comportamento de colecionador n\u00e3o traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patol\u00f3gico. Nessa situa\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das quinquilharias. Nesses casos, \u00e9 mais comum a cole\u00e7\u00e3o de objetos que podem ser facilmente obtidos e, ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa amea\u00e7a dar um fim na cole\u00e7\u00e3o. O ato de colecionar \u00e9 um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas est\u00e3o em alta ou em baixa.<\/p>\r\n<p>V\u00e1rias doen\u00e7as neuropsiqui\u00e1tricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patol\u00f3gico, como \u00e9 o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, s\u00edndrome de Tourette e diferentes tipos de dem\u00eancia. Estudos recentes t\u00eam demonstrado que les\u00f5es ou altera\u00e7\u00f5es no funcionamento de regi\u00f5es frontais do c\u00e9rebro, especialmente do lado direito, est\u00e3o associadas ao comportamento de colecionador patol\u00f3gico. \u00c9 como se essa regi\u00e3o do c\u00e9rebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro, como o sistema l\u00edmbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crian\u00e7as ainda n\u00e3o tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos dispon\u00edveis no mercado. Consumismo pode n\u00e3o ser o melhor nome para isso.<\/p>\r\n<p>Em um extremo, podemos imaginar o colecionador comum e \u201csaud\u00e1vel\u201d que tem toda a obra de seu escritor predileto, e j\u00e1 leu pelo menos uma parte dos livros que comprou. No outro extremo, est\u00e1 o indiv\u00edduo que come\u00e7a a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que poderiam estar num ferro-velho. Entre os dois extremos, estariam pessoas que j\u00e1 t\u00eam uma respeit\u00e1vel cole\u00e7\u00e3o de dinheiro, suficiente para sustentar tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua cole\u00e7\u00e3o aumentando.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<div>\r\n<div>\r\n<div id=\"m_5101187023913953760ydp9463ba48yiv9435451766yqtfd24449\">\u00a0<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\r\n<div>\r\n<p><strong>Confira o \u00e1udio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a R\u00e1dio CBN Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3846-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/colecionadores.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/colecionadores.mp3\">http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/colecionadores.mp3<\/a><\/audio>\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pessoas em que sua cole\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer signific\u00e2ncia afetiva, est\u00e9tica ou de valoriza\u00e7\u00e3o financeira. 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