{"id":4189,"date":"2023-02-03T12:34:06","date_gmt":"2023-02-03T15:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4189"},"modified":"2025-10-08T20:09:08","modified_gmt":"2025-10-08T23:09:08","slug":"pilula-de-placebo-mesmo-que-voce-saiba-pode-reduzir-seu-sentimento-de-culpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/pilula-de-placebo-mesmo-que-voce-saiba-pode-reduzir-seu-sentimento-de-culpa\/","title":{"rendered":"P\u00edlula de placebo, mesmo que voc\u00ea saiba, pode reduzir seu sentimento de culpa"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">\r\n<div dir=\"ltr\">A expectativa positiva de resultados quando se faz uso de placebo \u00e9 uma das principais forma de explicar o mecanismo de a\u00e7\u00e3o dessa modalidade terap\u00eautica. Entenda as modifica\u00e7\u00f5es concretas de que o placebo \u00e9 capaz de fazer em nosso c\u00e9rebro.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><!--more--><\/p>\r\n<div>\r\n<div><strong>Por Prof. Dr. Ricardo Teixeira<\/strong><\/div>\r\n<div>\u00a0<\/div>\r\n<div>A culpa de ter feito algo de que nos arrependemos \u00e9 um sentimento bem desconfort\u00e1vel, especialmente quando ficamos ruminando essa culpa por longos per\u00edodos. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Basel na Su\u00ed\u00e7a, e rec\u00e9m-publicado pela prestigiada Scientific Reports, mostra que o placebo pode reduzir esse sentimento, mesmo que voc\u00ea saiba que est\u00e1 tomando uma p\u00edlula de farinha.<br \/><br \/>Os volunt\u00e1rios da pesquisa eram instru\u00eddos a escrever uma situa\u00e7\u00e3o em que se sentiam arrependidos como uma conduta fora das regras sociais ou um tratamento injusto com outra pessoa. Tomavam ent\u00e3o uma p\u00edlula placebo, sendo avisados ou n\u00e3o que era placebo. Um grupo controle n\u00e3o tomava nada e ficava folheando uma revista de paisagens. Logo depois eles eram orientados a pensar de olhos fechados por um minuto na situa\u00e7\u00e3o que tinham escrito e ent\u00e3o o sentimento de culpa era quantificado. Aqueles que tomaram placebo, sabendo ou n\u00e3o, apresentaram menor sentimento de culpa.<br \/><br \/>Os participantes da pesquisa n\u00e3o apresentavam qualquer transtorno mental e novos estudos dever\u00e3o ser realizados em pacientes com doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, especialmente a depress\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o onde o sentimento de culpa \u00e9 muito prevalente.<br \/><br \/>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que temos evid\u00eancias de que o placebo funciona mesmo quando o indiv\u00edduo sabe que o que est\u00e1 sendo administrado \u00e9 placebo. Esse fen\u00f4meno j\u00e1 foi demonstrado no controle da ansiedade e dor, por exemplo, mas tamb\u00e9m em quadros de rinite, enxaqueca e \u00a0 s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel. \u00c9 muito importante que o terapeuta instrua os pacientes que o placebo pode ter efeitos significativos e que devem ter um pensamento positivo para potencializar seu efeito.<br \/><br \/>Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balan\u00e7ada naquilo que a comunidade cient\u00edfica at\u00e9 ent\u00e3o entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doen\u00e7a de Parkinson receberam medica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a doen\u00e7a (levodopa) ou p\u00edlulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medica\u00e7\u00e3o como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta cl\u00ednica, demonstraram aumento das concentra\u00e7\u00f5es de dopamina no c\u00e9rebro.<br \/><br \/>Em outro estudo mais recente, publicado pela revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo mostraram que pacientes com a Doen\u00e7a de Parkinson que tinham boa resposta ao placebo apresentavam aumento de dopamina no c\u00e9rebro em regi\u00f5es que s\u00e3o comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator \u201cexpectativa positiva\u201d pode ter um importante papel no efeito placebo.<br \/><br \/>Em quadros de dor, tamb\u00e9m h\u00e1 evid\u00eancias de que o placebo muda quimicamente o c\u00e9rebro, dessa vez atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o de opioides end\u00f3genos, efeito que pode ser desfeito atrav\u00e9s de medica\u00e7\u00f5es que bloqueiam o efeito de medica\u00e7\u00f5es opioides. As mudan\u00e7as qu\u00edmicas tamb\u00e9m ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante \u00e0s drogas que aumentam a concentra\u00e7\u00e3o de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condi\u00e7\u00f5es, a \u201cexpectativa positiva\u201d tamb\u00e9m parece ser a forma como o c\u00e9rebro faz com que o efeito placebo funcione. \u00a0 E essa parece ser a explica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras n\u00e3o. H\u00e1 evid\u00eancias de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas e t\u00eam maior ativa\u00e7\u00e3o do sistema de recompensa cerebral, n\u00e3o s\u00f3 na situa\u00e7\u00e3o de tratamento, mas tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00f5es de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.<br \/><br \/>Em 2016, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que a maioria dos americanos n\u00e3o v\u00ea problema em receber uma medica\u00e7\u00e3o placebo. O estudo envolveu 853 volunt\u00e1rios com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica cr\u00f4nica. Apenas 22% achavam inaceit\u00e1vel o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa poss\u00edvel nos casos em que o m\u00e9dico tem clareza que os benef\u00edcios s\u00e3o maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transpar\u00eancia no que est\u00e1 sendo proposto quando o m\u00e9dico \u00e9 interrogado.<br \/><br \/>\u00a0<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>\r\n<div>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div id=\"m_2969238313497163954yui_3_16_0_ym19_1_1544006242300_80679\">\r\n<div>\r\n<p><strong>Confira o \u00e1udio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a R\u00e1dio CBN Bras\u00edlia:<br \/><br \/><\/strong><\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-4189-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/placebo_pilulas.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/placebo_pilulas.mp3\">http:\/\/icbneuro.com.br\/podcasts\/placebo_pilulas.mp3<\/a><\/audio>\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A expectativa positiva de resultados quando se faz uso de placebo \u00e9 uma das principais forma de explicar o mecanismo de a\u00e7\u00e3o dessa modalidade terap\u00eautica. Entenda as modifica\u00e7\u00f5es concretas de que o placebo \u00e9 capaz de fazer em nosso c\u00e9rebro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4974,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4189"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4191,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189\/revisions\/4191"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}