{"id":4286,"date":"2023-06-01T20:04:02","date_gmt":"2023-06-01T23:04:02","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4286"},"modified":"2024-07-19T18:30:21","modified_gmt":"2024-07-19T21:30:21","slug":"arriscar-se-no-desconhecido-e-para-eles-a-chance-de-viver-boas-aventuras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/arriscar-se-no-desconhecido-e-para-eles-a-chance-de-viver-boas-aventuras\/","title":{"rendered":"Arriscar-se no desconhecido \u00e9, para eles, a chance de viver boas aventuras"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">No amor, no trabalho, saltando de bungee jump ou desbravando o mundo de bicicleta. Arriscar-se \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio, faz bem e proporciona momentos in\u00e9ditos.<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Para muitos, experimentar o desconhecido \u00e9 um privil\u00e9gio. Sentir a adrenalina correndo pelas veias, tomar coragem para sair pelo mundo ou deixar-se ser amado mais uma vez. N\u00e3o importa! O mundo, de fato, \u00e9 para aqueles que se arriscam e criam boas mem\u00f3rias a partir dessas aventuras.<\/p>\n<p>Certamente, voc\u00ea conhece algu\u00e9m que gosta de andar \u00e0 beira do perigo, intensa e impulsivamente. O comodismo e a zona de conforto, para essas pessoas, s\u00e3o palavras que n\u00e3o existem no dicion\u00e1rio de seu destino. Mas por que muitos gostam desses riscos que elas mesmas buscam? Para Ricardo Afonso Teixeira, doutor em neurologia pela Unicamp e diretor do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia, h\u00e1 v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p>No c\u00e9rebro, por exemplo, desafios e o caminhar apressado para novas sensa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ativadas no chamado sistema de recompensa cerebral. \u201cS\u00e3o centros cerebrais relacionados ao prazer e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de nos sentirmos recompensados, promovendo a libera\u00e7\u00e3o de neurotransmissores como a dopamina, a serotonina e a endorfina\u201d, explica.<\/p>\n<p>Esses centros, segundo o m\u00e9dico, est\u00e3o fortemente associados \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar promovida por esses novos momentos cheios de vigor e energia. Por isso, a busca por instantes in\u00e9ditos se faz cada vez mais presente, para voltar a sentir o gosto dessa carga de felicidade repetidamente.<\/p>\n<h3><strong>\u201cFome pelo novo\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Esse desejo pela novidade \u00e9 mais comum em adolescentes do que em adultos ou idosos, como descreve Ricardo Teixeira. Isso porque, na juventude, \u00e9 quando o corpo se encontra mais saud\u00e1vel, como em nenhuma outra fase da vida. Entretanto, tamb\u00e9m \u00e9 uma etapa que est\u00e1 ligada a diversas mudan\u00e7as hormonais que acontecem no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cA adolesc\u00eancia carrega consigo \u00edndices alarmantes de acidentes, suic\u00eddio, homic\u00eddio, depress\u00e3o, uso de \u00e1lcool e subst\u00e2ncias il\u00edcitas, viol\u00eancia, transtornos alimentares e obesidade. Tudo isso tem rela\u00e7\u00e3o direta com as mudan\u00e7as hormonais e seus efeitos sobre o c\u00e9rebro, que, por si mesmo, passa por transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3 compar\u00e1veis \u00e0s ocorridas nos tr\u00eas primeiros anos de vida\u201d, destaca o neurologista. Outro detalhe que faz total diferen\u00e7a s\u00e3o as regi\u00f5es do c\u00e9rebro que est\u00e3o relacionadas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, ao novo e \u00e0s formas de recompensa.<\/p>\n<p>Essas \u00e1reas, segundo Ricardo, t\u00eam um surto de crescimento que n\u00e3o \u00e9 acompanhado na mesma velocidade de espa\u00e7os ligados \u00e0 raz\u00e3o, ao julgamento e a fun\u00e7\u00f5es executivas. Esse descompasso afeta a parte comportamental de risco do jovem, trazendo a fome pelo novo e por gratificantes sentimentos sociais. O olhar evolutivo \u00e9 de que essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o os motivos que afastam o adolescente da seguran\u00e7a, levando-o a explorar um universo social bem maior.<\/p>\n<h3><strong>Que o medo nunca te impe\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>Um v\u00eddeo viral do ator Will Smith ficou famoso, tempos atr\u00e1s, por uma ic\u00f4nica frase: as melhores coisas est\u00e3o do outro lado do medo. E talvez ele estivesse certo. Ap\u00f3s essa barreira criada pela pr\u00f3pria mente, \u00e9 poss\u00edvel celebrar experi\u00eancias que nem mesmo o cora\u00e7\u00e3o jamais teria pensado em realizar.<\/p>\n<p>Quantas vezes voc\u00ea enfrentou esse receio de ir em frente por algo? Pois bem, a jovem Stephane Costa, 22 anos, decidiu voar de paramotor em uma viagem feita para Porto de Galinhas, em Pernambuco.<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Essa maluquice, segundo a empres\u00e1ria, nasceu assim que ela soube da fama do local por esse tipo de passeio com os p\u00e9s longe da terra. Bem antes, diz que n\u00e3o pensou duas vezes antes de ir, at\u00e9 contou os dias para pousar no Nordeste e sentir correndo nas veias tamanha adrenalina. \u201cNo dia, meu irm\u00e3o voou antes de mim. Lembro de estar na areia da praia, v\u00ea-lo de longe voando no paramotor e pensar: &#8216;meu Deus, que loucura o que vou fazer&#8217;, pensei at\u00e9 na possibilidade de dar errado e eu e o piloto cairmos no mar\u201d, brinca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que o medo tenha encontrado terreno f\u00e9rtil e quase minado sua tentativa, Stephane n\u00e3o desistiu e relata que os 12 minutos voando foram uma das experi\u00eancias mais malucas e bonitas que j\u00e1 teve. L\u00e1 no alto, por\u00e9m, o momento de \u00eaxtase era t\u00e3o grande que ficou sem rea\u00e7\u00e3o durante todo o tempo. \u201cQue lindo\u201d eram as \u00fanicas palavras ditas por ela enquanto via do c\u00e9u a beleza do cen\u00e1rio debaixo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Somente quando p\u00f4s os p\u00e9s em terra firme conseguiu digerir o que acabara de viver. \u201cQuando aprendi a ver a beleza na vida, entendi que nada se pode ter sem se arriscar. Afinal, se n\u00e3o tivesse arriscado, eu n\u00e3o teria vivido um dos 12 minutos mais bonitos da minha vida. Se na minha pr\u00f3xima viagem, seja l\u00e1 para onde for, tiver passeio de paramotor, eu, com certeza, vou voar de novo\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<h3><b>Como esse temor age no indiv\u00edduo?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O medo, essa aus\u00eancia de coragem, existe e sempre estar\u00e1 pr\u00f3ximo. Em qualquer momento de mudan\u00e7a ou quando estiver face a face para um momento que tem tudo para ser incr\u00edvel. No c\u00e9rebro, Ricardo Teixeira detalha que esse sentimento \u00e9 orquestrado pelo sistema l\u00edmbico temporal, que atua em conjunto com o julgamento balizado por regi\u00f5es frontais, freando impulsos de comportamentos avaliados como de risco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como mencionado mais acima, os jovens s\u00e3o os mais propensos a se entregarem irracionalmente a essas investidas arriscadas. Isso porque, do outro lado, em rela\u00e7\u00e3o aos idosos especificamente, essa realidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais visualizada com tantas vantagens. \u201cAs regi\u00f5es frontais do c\u00e9rebro equilibram melhor as impulsividades, a experi\u00eancia, a psique, dizendo que aquilo n\u00e3o faz mais sentido. Agora, tem uma fam\u00edlia para cuidar. Resumindo: amadurecimento cerebral.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><b>Um amor de tantas rugas<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Independentemente da idade, jogar-se \u00e9 necess\u00e1rio. Principalmente se voc\u00ea passou muito tempo com um vazio amarrado no peito. Parafraseando a m\u00fasica Conversa de botas batidas, da banda Los Hermanos, h\u00e1 amores que carregam rugas e precisam ser vividos em algum momento, encontrando seu lugar. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para erros com eles, \u00e9 preciso tentar antes que o remorso apare\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E foi assim que Santana Maria Alves Carvalho, 71, escolheu, pela segunda vez, apaixonar-se. N\u00e3o somente por algu\u00e9m, mas tamb\u00e9m pela vida. Aos 17 anos, casou-se. Conheceu o marido no interior de Tocantins, em uma missa de domingo, como relembra. Foi amor \u00e0 primeira vista. \u201cPara a gente se casar foi um dilema, porque a minha m\u00e3e n\u00e3o aceitava. Mesmo assim, tentamos. E foi uma aventura de subir as montanhas, com altos e baixos\u201d, relembra a aposentada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o ent\u00e3o esposo, veio para Bras\u00edlia, em 1979. Tiveram cinco filhos \u2014 dois homens e tr\u00eas mulheres \u2014 e tentaram ser felizes. Foram muitas lutas e dificuldades, hoje s\u00e3o vistas como aprendizados. At\u00e9 que, como recorda Santana, Deus levou o companheiro. \u201cEle se foi e deixou um vazio t\u00e3o grande, que somente os c\u00e9us pra me confortar.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois da perda, n\u00e3o viu mais sentido em continuar na capital federal e decidiu retornar para Tocantins, em 2006. Nessas idas e vindas entre Bras\u00edlia e o Norte do pa\u00eds, confessa ter se sentido triste e vazia em busca de algo que ainda n\u00e3o sabia. Com a partida do ex-parceiro, viu, tamb\u00e9m, sua esperan\u00e7a escorrer por entre os dedos.<\/span><\/p>\n<h3><b>Tente outra vez<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nunca h\u00e1 uma data exata para um encontro com o amor. Ele chega e, de repente, parece que sempre esteve perto. Em uma viagem, novamente para Tocantins, Santana voltou para cumprir uma promessa na igreja cat\u00f3lica. L\u00e1, conheceu um rapaz, 30 anos mais novo que ela. \u201cEle se apaixonou por mim desde a primeira vez. Foi uma luta muito grande, porque ele buscou esse objetivo de me conquistar. E me conquistou\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As dificuldades, claro, eram rodeadas pela diferen\u00e7a de idade entre ambos. Olhos contr\u00e1rios da fam\u00edlia, que n\u00e3o aceitava bem essa ideia de paix\u00e3o proibida. Al\u00e9m disso, os filhos ainda sentiam a perda do pai, que viveu uma grande hist\u00f3ria ao lado de Santana. Mesmo assim, decidiu apostar. Encarou os estigmas, os pensamentos err\u00f4neos e o medo. Arriscou-se, mais uma vez.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDeixei todo mundo em Bras\u00edlia e fui muito corajosa, falei: &#8216;t\u00f4 indo, vou fazer um teste na minha vida. Se n\u00e3o passar, estou de volta&#8217;. E, nesse meio tempo, j\u00e1 se foram 15 anos\u201d, conta Santana. N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas continua sendo bonito. Os dois apaixonados casaram-se e est\u00e3o juntos desde 2008, felizes e celebrando cada momento juntos. Jociel Cardoso, hoje com 40 anos, \u00e9 um dos principais motivos para a esposa ter tentado de novo. E ter, muito mais que arriscado, sa\u00eddo de um lugar vazio e sem cor para outro feliz e vibrante.<\/span><\/p>\n<h3><b>Traumas e cicatrizes<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como Santana, \u00e9 normal se fechar pro mundo depois de uma perda. E mais do que isso, decidir, por si s\u00f3, permanecer no mesmo lugar, com receio de vivenciar o gosto amargo da tristeza novamente. Graziela Furtado Scarpelli Ferreira, professora e coordenadora do curso de psicologia do Centro Universit\u00e1rio Iesb, ressalta que eventos p\u00f3s-traum\u00e1ticos produzem respostas emocionais intensas diante de situa\u00e7\u00f5es semelhantes, impedindo o indiv\u00edduo de se colocar em circunst\u00e2ncias n\u00e3o controladas ou que indiquem potenciais de risco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por exemplo, se uma pessoa passa por um relacionamento abusivo, essa cicatriz pode fazer com que ela n\u00e3o queira um um parceiro por um bom tempo, mantendo apenas v\u00ednculos afetivos mais superficiais, deixando de apreciar novas rela\u00e7\u00f5es. \u201cDe certa forma, nossas viv\u00eancias (comportamentos e as consequ\u00eancias deles) s\u00e3o experienciadas de tal sorte que impactam em escolhas futuras. Assim, situa\u00e7\u00f5es que forem frustradas tendem a diminuir o nosso \u00edmpeto de voltar para condi\u00e7\u00f5es similares\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, arriscar-se em determinadas situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m depende da sua hist\u00f3ria de sucesso ou de frustra\u00e7\u00e3o no passado. De acordo com a psic\u00f3loga, esses resultados podem, ainda, aumentar ou diminuir a ansiedade para epis\u00f3dios futuros.<\/span><\/p>\n<h3><b>Apesar da dor, \u00e9 preciso ir<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que essas marcas do passado existam no presente, Graziela Furtado reitera que a disposi\u00e7\u00e3o ao novo pode ampliar o repert\u00f3rio de condi\u00e7\u00f5es bem-sucedidas. \u201cNem toda exposi\u00e7\u00e3o ao novo ou a situa\u00e7\u00f5es potencialmente perigosas (saltar de paraquedas, por exemplo) ter\u00e1 uma consequ\u00eancia aversiva ou ruim. Isso quer dizer que, na maioria das vezes, quando fazemos algo novo, temos um resultado positivo, e isso favorece que continuemos tentando experimentar situa\u00e7\u00f5es novas\u201d, complementa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante dessa novidade, para ter bons resultados, \u00e9 importante controlar o necess\u00e1rio, sem criar expectativa de que tudo estar\u00e1 sob seu comando. A consequ\u00eancia positiva desse \u201carriscar-se\u201d, como mencionado pela profissional, gerar\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de sucesso e uma intensa satisfa\u00e7\u00e3o por vencer o medo do inesperado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 percept\u00edvel a alegria e o prazer quando o indiv\u00edduo conquista algo que, bem antes, parecia ser imposs\u00edvel ou n\u00e3o exequ\u00edvel. \u201cExperienciamos coisas novas e novas sensa\u00e7\u00f5es que podem passar a fazer parte de uma rotina de atividade de lazer e de prazer da nossa vida. Sendo assim, permitir-se vivenciar o novo, apesar de ser ansiog\u00eanico, pode ser muito bom e prazeroso (desde que vivenciado com controle de cuidados m\u00ednimos)\u201d, finaliza Graziela.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b><br \/>\n<\/b><b><\/b><\/p>\n<h3><b>A cada salto, um sonho realizado<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Viver aventuras tem ainda mais valor se acompanhado de um amigo. Poder partilhar desses momentos ao lado de quem se gosta \u00e9 indescrit\u00edvel. Grandes irm\u00e3os desde que se conheceram, Fl\u00e1vio Laurindo Machado, 39, e Ramon Salvador Gon\u00e7alves, 41, s\u00e3o completamente apaixonados por bungee jumping.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fl\u00e1vio, no entanto, carrega esse afeto pelo esporte h\u00e1 mais tempo. Na adolesc\u00eancia, mesmo vindo de uma fam\u00edlia humilde, sempre teve uma alma aventureira. \u201cEm geral, era doido pra saltar de paraquedas. Mas, em 1998, vi uma reportagem falando sobre o bungee jumping e disse pra mim mesmo que ia saltar um dia na Nova Zel\u00e2ndia.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2013, conseguiu e saltou de paraquedas. A atmosfera foi &#8220;animal&#8221;. Entretanto, o sonho era mesmo o de saltar rumo ao vazio. H\u00e1 seis anos, quando descobriu o Mega Bungee, uma empresa que organiza saltos em Bras\u00edlia, conseguiu realizar o que mais queria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gratificante sensa\u00e7\u00e3o o fez querer mais dessa energia, s\u00f3 que em outros lugares. \u201cNo in\u00edcio de 2018, fui com mais tr\u00eas amigos fazer um mochil\u00e3o no Peru, na Bol\u00edvia e no Chile. No roteiro, falei que topava tudo, mas, se tivesse alguma coisa radical, seria demais\u201d, descreve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E esse desejo foi prontamente atendido. Pedal na estrada da Morte na Bol\u00edvia, subida na montanha de Machu Picchu e um salto no maior bungee jump da Am\u00e9rica Latina, em Cuzco, no Peru. Em seguida, foi para a Nova Zel\u00e2ndia e concretizou, por fim, a sua grande e primeira vontade. L\u00e1, fez quatro saltos e se emocionou quando lembrou-se do que havia prometido a si mesmo. \u201cFoi muito comovente pra mim, porque me recordei daquele meu sonho de crian\u00e7a.&#8221;<\/span><\/p>\n<h3><b>De amigo pra amigo<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E Fl\u00e1vio, que se autointitula superador de limites e f\u00e3 de adrenalina, n\u00e3o podia deixar essa sensa\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel s\u00f3 com ele. \u00c9 nesse contexto que entra Ramon, tamb\u00e9m amante de esportes radicais. O primeiro salto de sua vida foi ao lado do amigo, em um guindaste de 70 metros, no Parque da Cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFoi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Saltar traz essa sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e da liberta\u00e7\u00e3o do medo ao mesmo tempo, existe essa linha t\u00eanue\u201d, detalha o motorista de aplicativo. Por isso, sempre em busca desses instantes que valem a pena, pretende continuar adquirindo cada vez mais coragem para viv\u00ea-los.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora esteja na casa dos \u2018quarent\u00f5es\u2019, diz que o pique continua o mesmo, e que n\u00e3o pensa, de maneira nenhuma, abandonar a procura por emo\u00e7\u00e3o. \u201cEstou sempre pronto para novas aventuras. Isso faz parte do meu sangue.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nem ele, nem tampouco Fl\u00e1vio desistem da ideia de se arriscar. Fl\u00e1vio, inclusive, j\u00e1 tem passado esse sentimento para a filha de 7 anos. A pequena, que ama os saltos do pai, sempre diz a ele que quer seguir seus passos quando crescer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEla \u00e9 t\u00e3o pilhada em esportes radicais quanto eu, fala para todo mundo dos v\u00eddeos e pergunta quando vai poder saltar. Eu sei que ela vai um dia. E vai ser emocionante\u201d, finaliza. Fl\u00e1vio \u00e9 dono do canal Laurindo Machado, no YouTube. Na plataforma, est\u00e3o todos os registros de suas aventuras alucinantes ao redor do mundo.<\/span><\/p>\n<h3><b>Zona de conforto<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa vontade insaci\u00e1vel, para muitos, \u00e9 que os move. E, sem isso, a vida fica mais sem gra\u00e7a. Talvez caia na rotina, fique acomodada e sem a presen\u00e7a revigorante do que nunca foi sentido. Nessas ocasi\u00f5es, a psic\u00f3loga Graziela Furtado explica que as aus\u00eancias de est\u00edmulos variados e de situa\u00e7\u00f5es desafiadoras, pelo menos a longo prazo, podem ser frustrantes e desanimadoras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s, seres humanos, estamos, normalmente, em busca de novas sensa\u00e7\u00f5es. Quando nos arriscamos e somos bem-sucedidos, sentimos prazer e felicidade. Por outro lado, a estagna\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es conhecidas por muito tempo pode trazer a sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo e tristeza\u201d, aponta a profissional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estabelecer objetivos e metas alcan\u00e7\u00e1veis pode ser uma for\u00e7a motriz para a\u00e7\u00f5es, escolhas e sentimentos de alegria quando percebe-se que, de fato, consegue-se, aos poucos, construir um percurso para chegar ao prop\u00f3sito maior. A falta disso acarreta um vazio inimagin\u00e1vel, al\u00e9m da ideia de prostra\u00e7\u00e3o. Um exemplo, como ilustrado pela psic\u00f3loga, \u00e9 a jornada de muitas pessoas em suas profiss\u00f5es que, em dado momento, sentem-se cansadas por fazerem a mesma coisa todos os dias.<\/span><\/p>\n<h3><b>Apenas uma bicicleta<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Daiana Pillati, 45, tinha uma excelente carreira como gestora ambiental em uma multinacional finlandesa, em Santa Catarina. Embora todos os aspectos financeiros e o patamar profissional que havia chegado pesassem, n\u00e3o era mais o que queria. O tempo corria, mas Daiana se sentia presa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enfim, saiu de onde estava. Abriu uma f\u00e1brica de biscoitos, algo que desejava muito. Mas, ainda sim, n\u00e3o conseguia preencher aquele vazio na alma. Duas filhas, netos, casa, carro. Tinha tudo, mas n\u00e3o era o bastante. At\u00e9 que, em 2015, quis mais. A partir dessa nova empreitada como empres\u00e1ria, descobriu o que lhe marejava os olhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma grande aventura, uma viagem pelo mundo e, acredite se quiser, de bicicleta. \u201cEu me preparei durante dois anos. Afinal, precisava de equipamento, de dinheiro. E, tamb\u00e9m, me desapegar da fam\u00edlia, dos meus bens. Tudo isso, hoje, j\u00e1 n\u00e3o tenho mais.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que ela buscava? Uma nova forma de viver. Aos 40 anos, acreditava estar na metade de sua jornada na terra, j\u00e1 que &#8220;pretende morrer&#8221;, somente, depois dos 80. Nessa primeira parte de seu pr\u00f3prio filme, acredita que teve \u00eaxito em praticamente tudo o que almejava. Por\u00e9m, pensa que foi algo normal. E diferente era o que a atra\u00eda. O desapego, para Daiana, sempre existiu. Nunca foi uma pessoa que se sentia 100% satisfeita com coisas materiais. No in\u00edcio, destaca as dificuldades, \u201cera como morrer&#8221;, pois teve que deixar tudo de antes para tr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No amor, no trabalho, saltando de bungee jump ou desbravando o mundo de bicicleta. Arriscar-se \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio, faz bem e proporciona momentos in\u00e9ditos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4591,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4286"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4293,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4286\/revisions\/4293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}