{"id":4314,"date":"2023-07-07T16:54:37","date_gmt":"2023-07-07T19:54:37","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4314"},"modified":"2024-07-19T11:41:17","modified_gmt":"2024-07-19T14:41:17","slug":"pilulas-para-turbinar-o-cerebro-para-quem-nao-precisa-podem-atrapalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/pilulas-para-turbinar-o-cerebro-para-quem-nao-precisa-podem-atrapalhar\/","title":{"rendered":"P\u00edlulas para turbinar o c\u00e9rebro para quem n\u00e3o precisa podem atrapalhar"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">H\u00e1 pouqu\u00edssimas evid\u00eancias cient\u00edficas de que as &#8220;smart drugs&#8221; trazem reais benef\u00edcios cognitivos a indiv\u00edduos sem transtornos neurol\u00f3gicos ou psiqui\u00e1tricos. Existem at\u00e9 resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho.<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>J\u00e1 conhecemos uma s\u00e9rie de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem deixar nosso c\u00e9rebro mais esperto. Estamos falando de atividade f\u00edsica, sono e alimenta\u00e7\u00e3o regulares, estar sempre aprendendo, equil\u00edbrio ps\u00edquico e um cafezinho para arrematar. Al\u00e9m disso, as famosas p\u00edlulas usadas para turbinar o c\u00e9rebro, conhecidas como \u201csmart drugs\u201d, t\u00eam sido cada vez mais consumidas por pessoas sem qualquer tipo de problema neurol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico. Uma pesquisa que avaliou o consumo dessas drogas entre dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo mostra um crescimento nada discreto. Em 2017, 14% das pessoas utilizaram essas medica\u00e7\u00f5es pelo menos uma vez no \u00faltimo ano, comparado a 5% em 2015. Nos EUA, esse consumo \u00e9 de 30% da popula\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que dispomos de pouqu\u00edssimas evid\u00eancias cient\u00edficas de que essas p\u00edlulas trazem reais benef\u00edcios cognitivos a indiv\u00edduos sem transtornos neurol\u00f3gicos ou psiqui\u00e1tricos, e h\u00e1 at\u00e9 resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. \u00c9 como se nosso c\u00e9rebro fosse uma orquestra bem afinada e introduz\u00edssemos 20 violinos a mais. Pode melhorar, pode n\u00e3o fazer diferen\u00e7a no resultado, ou pode at\u00e9 desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medica\u00e7\u00f5es t\u00eam-se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Elenco a seguir algumas quest\u00f5es sobre esse fen\u00f4meno que t\u00eam sido discutidas nos \u00faltimos anos por pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u2013 Existe atualmente um forte mercado clandestino dessas medica\u00e7\u00f5es voltado para indiv\u00edduos saud\u00e1veis, com transa\u00e7\u00f5es de compra e venda que podem ser punidas at\u00e9 mesmo com pris\u00e3o em pa\u00edses como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8211; O uso de medica\u00e7\u00f5es dessa natureza para melhorar o desempenho cerebral poderia ser visto como \u201ctrapa\u00e7a\u201d, ao pensarmos que outras pessoas podem n\u00e3o estar usufruindo dos mesmos benef\u00edcios. N\u00e3o dispomos ainda de regras que regulem se as pessoas podem ou n\u00e3o fazer uso dessas medica\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de um concurso p\u00fablico, por exemplo. Outra situa\u00e7\u00e3o: uma pessoa tem o h\u00e1bito de investir no seu equil\u00edbrio ps\u00edquico, como, por exemplo, atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o e atividade f\u00edsica regular, e outra pessoa n\u00e3o o faz. Esse equil\u00edbrio ps\u00edquico tem grandes chances de aumentar o desempenho cognitivo, mas, culturalmente, isso n\u00e3o costuma ser visto como trapa\u00e7a, j\u00e1 que a pessoa \u201cinvestiu seus esfor\u00e7os\u201d para alcan\u00e7ar sua vantagem. Por que a vantagem alcan\u00e7ada por p\u00edlulas deveria ser vista de outra forma? E ser\u00e1 que essas drogas realmente oferecem vantagens no aprendizado ou s\u00f3 melhoram o desempenho a curto prazo em dias de maiores desafios? Ser\u00e1 justo para aqueles que n\u00e3o usam as drogas concorrer com outros c\u00e9rebros turbinados? Seria a mesma coisa se parte dos concorrentes num teste de matem\u00e1tica estivessem usando calculadora e outra parte, n\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 Medica\u00e7\u00f5es dessa natureza poderiam provocar depend\u00eancia e efeitos colaterais. Por outro lado, at\u00e9 a cafe\u00edna \u00e9 pass\u00edvel de desenvolver depend\u00eancia e efeitos colaterais, apesar do seu risco de fazer mal \u00e0 sa\u00fade ser infinitamente menor do que de outras drogas. Com base na atual experi\u00eancia, talvez os riscos de depend\u00eancia\/efeitos colaterais das medica\u00e7\u00f5es estimulantes n\u00e3o sejam muito diferentes do que os da cafe\u00edna e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para tanto receio. \u00c9 preciso avan\u00e7ar nas pesquisas sobre o assunto.<\/p>\n<p>\u2013 Em crian\u00e7as, as quest\u00f5es \u00e9ticas s\u00e3o muito mais complexas. A primeira quest\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a dessas medica\u00e7\u00f5es em indiv\u00edduos que ainda t\u00eam o c\u00e9rebro em franco desenvolvimento. Al\u00e9m disso, a crian\u00e7a n\u00e3o tem o poder de fazer suas pr\u00f3prias escolhas. Entre os adultos, h\u00e1 de se considerar no futuro quest\u00f5es \u00e9ticas ligadas \u00e0 obrigatoriedade em se usar tais medica\u00e7\u00f5es em algumas situa\u00e7\u00f5es ocupacionais. Nos EUA, o modafinil \u00e9 hoje uma droga aprovada pelo FDA para trabalhadores em turno invertido. Ser\u00e1 que o empregador poder\u00e1, um dia, obrigar o trabalhador a usar a medica\u00e7\u00e3o para evitar acidentes ou para melhorar o desempenho?<\/p>\n<p>\u2013 Como qualquer tecnologia, as \u201csmart drugs\u201d poder\u00e3o um dia ser bem ou mal usadas. H\u00e1 muito trabalho pela frente para se avaliar seus custos e benef\u00edcios, para se educar a popula\u00e7\u00e3o sobre o assunto e para ajustar a legisla\u00e7\u00e3o vigente, caso se consiga demonstrar que elas s\u00e3o realmente seguras e eficazes para as pessoas que querem turbinar seus c\u00e9rebros.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida \u00e0 Scientific American, e publicada h\u00e1 alguns anos na revista Mente &amp; C\u00e9rebro, o Pr\u00eamio Nobel Eric Kandel, um dos neurocientistas mais renomados do planeta e, certamente, um dos pesquisadores que mais contribu\u00edram para o nosso atual entendimento da mem\u00f3ria, declara: \u201cAinda n\u00e3o temos evid\u00eancias de seguran\u00e7a e nem mesmo de efic\u00e1cia do uso de medica\u00e7\u00f5es para melhorar o c\u00e9rebro de pessoas saud\u00e1veis. Eu n\u00e3o aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medica\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>E a cada dia o conselho de Kandel parece ser mais acertado. Este m\u00eas, pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e Melbourne, na Austr\u00e1lia, publicaram na Scientific Advances resultados de estudos mostrando que as tais \u201csmart drugs\u201d podem piorar o desempenho cognitivo entre pessoas sem transtornos cognitivos. As medica\u00e7\u00f5es deixam os volunt\u00e1rios mais motivados, mas com desempenho menos eficiente, mais err\u00e1tico, com maior demora para execu\u00e7\u00e3o de tarefas complexas. No caso do metilfenidato (Ritalina), o tempo de execu\u00e7\u00e3o da tarefa aumentou em 50%. E os mais prejudicados foram os que tinham o melhor desempenho antes de usar as medica\u00e7\u00f5es. Talvez caiba aqui novamente a analogia com a orquestra sinf\u00f4nica com 20 violinos extras e sem ensaio.<\/p>\n<p><strong>Por Prof. Dr. Ricardo Teixeira<br \/>\n<\/strong>Mat\u00e9ria originalmente no site do <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto:<\/strong> www.pexels.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouqu\u00edssimas evid\u00eancias cient\u00edficas de que as &#8220;smart drugs&#8221; trazem reais benef\u00edcios cognitivos a indiv\u00edduos sem transtornos neurol\u00f3gicos ou psiqui\u00e1tricos. 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