{"id":4342,"date":"2023-08-17T16:12:48","date_gmt":"2023-08-17T19:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4342"},"modified":"2024-07-19T12:40:21","modified_gmt":"2024-07-19T15:40:21","slug":"exposicao-a-aromas-durante-o-sono-melhora-a-memoria-em-mais-de-200","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/exposicao-a-aromas-durante-o-sono-melhora-a-memoria-em-mais-de-200\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o a aromas durante o sono melhora a mem\u00f3ria em mais de 200%"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Idosos foram expostos a um vaporizador programado para jogar aromas de \u00f3leos essenciais enquanto dormiam. Ap\u00f3s seis meses, o desempenho de mem\u00f3ria dos pesquisados saud\u00e1veis melhorou 226%<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p>Estava bem longe de casa, apreciando uma pequena cidade colonial por cima dos seus telhados, nova paisagem, outros ares. Ares que carregavam o odor da torra do caf\u00e9, que atingiu em cheio minha mem\u00f3ria profunda da inf\u00e2ncia, acompanhada de uma emo\u00e7\u00e3o gostosa. Certamente cada um de voc\u00eas que agora l\u00ea esta coluna j\u00e1 passou por algo semelhante.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias. Esta \u00e9 uma palavra-chave para a manuten\u00e7\u00e3o das habilidades cognitivas ao longo do envelhecimento cerebral. Estudos demonstram que as pessoas que t\u00eam mais experi\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 com leitura, atividade f\u00edsica, mas tamb\u00e9m com trabalhos manuais e socializa\u00e7\u00e3o, por exemplo, envelhecem com o c\u00e9rebro mais afiado. Camundongos restritos a gaiolas com poucos est\u00edmulos visuais e auditivos envelhecem menos espertos. E voltando aos est\u00edmulos olfativos, sabemos que um ambiente rico em odores promove maior gera\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios e melhor mem\u00f3ria. Esse ambiente \u00e9 eficaz quando os odores s\u00e3o apresentados individualmente, mas n\u00e3o numa mistura, um blend de odores.<\/p>\n<p>O mesmo \u00e9 observado em idosos, humanos, com ou sem doen\u00e7as neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. A multiplicidade de experi\u00eancias individualizadas vale mais que um blend de aromas. No mundo real, seria uma tarefa dif\u00edcil criar uma rotina di\u00e1ria de estimula\u00e7\u00e3o olfativa em que um idoso abra, cheire e feche frascos com diferentes aromas v\u00e1rias vezes ao longo do dia.<\/p>\n<p>E se isso fosse feito de forma autom\u00e1tica enquanto se dorme? Que tal um vaporizador de aromas programado para jogar no ambiente aromas de \u00f3leos essenciais por duas horas enquanto dormimos, um diferente a cada noite? Foi isso que pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia desenvolveram. Os resultados acabam de ser publicados na Frontiers in Neuroscience, mostrando que, ap\u00f3s seis meses dessa interven\u00e7\u00e3o, o desempenho de mem\u00f3ria de idosos saud\u00e1veis melhorou 226%. Al\u00e9m disso, os volunt\u00e1rios que receberam a estimula\u00e7\u00e3o olfativa reportaram que dormiram melhor, e os exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica apontaram um incremento na fun\u00e7\u00e3o do circuito que conecta estruturas do lobo temporal mesial ao c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal.<\/p>\n<p>O grupo placebo foi exposto a doses indetect\u00e1veis de \u00f3leos essenciais. Os aromas usados? Rosas, laranja, eucalipto, lim\u00e3o, hortel\u00e3-pimenta, alecrim e lavanda. A Procter &amp; Gamble patrocinou o estudo e, em breve, lan\u00e7a no mercado seu vaporizador de \u00f3leos essenciais. Entretanto, novos estudos devem confirmar esses achados.<\/p>\n<p><strong>O que esperar do nosso c\u00e9rebro na velhice?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 se conhece bastante sobre as altera\u00e7\u00f5es cerebrais morfol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas associadas ao processo de envelhecimento normal. Por volta dos 15 anos de idade, nosso enc\u00e9falo alcan\u00e7a seu maior peso (~ 1.350g), com uma perda de cerca de 1,5% desse peso a cada d\u00e9cada. Essa diminui\u00e7\u00e3o se d\u00e1 muito mais por redu\u00e7\u00e3o do tamanho dos neur\u00f4nios do que por destrui\u00e7\u00e3o dos mesmos. Paralelamente, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de conex\u00f5es entre os neur\u00f4nios e significativo ac\u00famulo de subst\u00e2ncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral.<\/p>\n<p>O envelhecimento cerebral normal provoca apenas discretas mudan\u00e7as no desempenho cognitivo ap\u00f3s os 50-60 anos de idade, muitas vezes s\u00f3 detect\u00e1veis por meio de testes rigorosos. Na maioria das vezes, por\u00e9m, as queixas de mem\u00f3ria t\u00eam mais rela\u00e7\u00e3o com quadros de ansiedade, depress\u00e3o, transtornos do sono e o estresse do dia a dia do que com doen\u00e7as cerebrais propriamente ditas. Al\u00e9m disso, alguns estudos t\u00eam mostrado que a maturidade faz com que algumas habilidades cognitivas fiquem at\u00e9 mais eficientes do que nos jovens. Um exemplo \u00e9 a capacidade executiva de inibir est\u00edmulos que levam \u00e0 distra\u00e7\u00e3o do foco naquilo que realmente interessa.<\/p>\n<p>Infelizmente, algumas pessoas, \u00e0 medida que envelhecem, come\u00e7am a ter queixas de mem\u00f3ria de forma mais intensa, podendo evoluir para a dem\u00eancia. A defini\u00e7\u00e3o de dem\u00eancia \u00e9 o acometimento de diversas dimens\u00f5es do pensamento que chega a comprometer a capacidade de um indiv\u00edduo em realizar suas atividades habituais. Entre o envelhecimento cerebral normal e a dem\u00eancia, podemos encontrar pessoas que est\u00e3o no meio do caminho, e essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o chamada de transtorno cognitivo leve.<\/p>\n<p>Idosos com transtorno cognitivo leve costumam apresentar dificuldades significativas de mem\u00f3ria com outras fun\u00e7\u00f5es cognitivas preservadas, sem que isso atrapalhe de forma expressiva suas atividades di\u00e1rias. Outros apresentam uma variante em que a mem\u00f3ria \u00e9 relativamente preservada, enquanto outras fun\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais acometidas. Nem todas as pessoas que apresentam transtorno cognitivo leve apresentar\u00e3o dem\u00eancia no futuro, mas a maioria apresentar\u00e1, sim.<\/p>\n<p>A cada ano, cerca de 10% a 15% de idosos com diagn\u00f3stico de transtorno cognitivo leve receber\u00e3o o diagn\u00f3stico de dem\u00eancia, comparado a 1% a 2% para idosos sem o problema. E quanto \u00e0 chance de desenvolvermos um quadro de dem\u00eancia, nossa chance \u00e9 de 25%, se ultrapassarmos os 80 anos de vida, e de 50% se passarmos dos 90. O ser humano inventou o antibi\u00f3tico, a vacina e tantas outras coisas que estenderam nossa longevidade, mas n\u00e3o houve tempo de nos adaptarmos geneticamente a esse novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o evolutiva n\u00e3o deve nos deixar congelados, mas, ao contr\u00e1rio, precisamos mexer a mente e o corpo, n\u00e3o parar de experienciar. As medica\u00e7\u00f5es usadas para tantas doen\u00e7as neurodegenerativas, incluindo a doen\u00e7a de Alzheimer, melhoram os sintomas sem mudar o curso natural da doen\u00e7a. Recentemente, tr\u00eas novas drogas para o Alzheimer (anticorpos monoclonais) mostraram efeitos na redu\u00e7\u00e3o da velocidade do decl\u00ednio cognitivo e redu\u00e7\u00e3o no dep\u00f3sito de marcadores patol\u00f3gicos (placas beta-amiloides), resultados que j\u00e1 nos deixam enxergar uma luzinha no fim do t\u00fanel. Enquanto isso, vamos experienciando e acho que vou dormir hoje com um sach\u00ea de \u00f3leo de lavanda sobre o criado mudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<strong>Ricardo Afonso Teixeira<\/strong> \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp e diretor do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente no site do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto:<\/strong>\u00a0www.pexels.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Idosos foram expostos a um vaporizador programado para jogar aromas de \u00f3leos essenciais enquanto dormiam. 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