{"id":4372,"date":"2023-10-06T10:26:24","date_gmt":"2023-10-06T13:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4372"},"modified":"2024-07-19T12:50:28","modified_gmt":"2024-07-19T15:50:28","slug":"programe-intervalos-no-estudo-e-no-trabalho-e-aumente-a-produtividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/programe-intervalos-no-estudo-e-no-trabalho-e-aumente-a-produtividade\/","title":{"rendered":"Programe intervalos no estudo e no trabalho e aumente a produtividade"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Estudos comprovam que com pausas mais longas, a tarefa fica mais demorada, mas o conte\u00fado aprendido fica consolidado por mais tempo<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p>No meu consult\u00f3rio, pode-se perceber no canto da mesa uma cuia de chimarr\u00e3o e muitos me perguntam se sou ga\u00facho. Quando digo que n\u00e3o sou do Sul do pa\u00eds, vem a segunda pergunta \u2014 e o que essa cuia est\u00e1 fazendo a\u00ed? Muito mais do que pela cafe\u00edna da erva mate, o chimarr\u00e3o \u00e9 um ritual de pausas no trabalho que cultivo h\u00e1 uns 30 anos e que me ajuda muito. Trabalho um pouco, tomo um chazinho, trabalho mais um pouco, e assim mantenho meu ritmo. Quando estou escrevendo, e a mem\u00f3ria n\u00e3o acode meu chamado, uma pausa para o mate costuma resolver.<\/p>\n<p>Praticar, praticar, praticar. Esse \u00e9 o mantra de muitos estudantes e discuto frequentemente no consult\u00f3rio essa quest\u00e3o com pessoas que querem incrementar o desempenho cerebral. Sempre argumento que pausas s\u00e3o importantes para a solidifica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, e bons exemplos s\u00e3o um boa noite de sono e uma pausa para atividade f\u00edsica, especialmente entre um turno e outro. Al\u00e9m de \u201cesfriar o motor do c\u00e9rebro\u201d, o exerc\u00edcio f\u00edsico libera uma s\u00e9rie de subst\u00e2ncias no c\u00e9rebro que facilita o aprendizado.<\/p>\n<p>Um exemplo interessante de pausas \u00e9 a famosa t\u00e9cnica Pomodoro. Pomodoro era um timer em formato de tomate que o italiano Francisco Cirillo usava para avis\u00e1-lo, a cada 25 minutos, que estava na hora de um descanso de cinco minutos. A hist\u00f3ria rendeu a publica\u00e7\u00e3o do livro The Pomodore Technique, prometendo melhorar o desempenho no trabalho e nos estudos. Francisco estava certo.<\/p>\n<p>O peri\u00f3dico Current Biology publicou, em 2019, uma pesquisa em humanos mostrando que pausas ainda mais frequentes podem fazer com que o aprendizado seja mais eficiente. Os volunt\u00e1rios aprendiam mais quando praticavam por 10 segundos e, ent\u00e3o, descansavam por outros 10 segundos. Isso era feito por 35 vezes e na 11\u00aa repeti\u00e7\u00e3o eles alcan\u00e7avam uma efici\u00eancia m\u00e1xima \u2014 mantida nas repeti\u00e7\u00f5es posteriores. O mais interessante \u00e9 que a atividade cerebral, demonstrada pelo m\u00e9todo de magnetoencefalografia, era maior nos per\u00edodos de pausa do que durante a pr\u00e1tica, refletindo atividade cerebral de consolida\u00e7\u00e3o e solidifica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 2021, pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, publicaram, na mesma revista, os resultados de um estudo que nos faz entender melhor como as pausas podem potencializar o aprendizado. Os resultados mostraram que a reten\u00e7\u00e3o do conte\u00fado \u00e9 maior quando o processo de aprendizado se d\u00e1 entremeado por pausas. A isso se d\u00e1 o nome de \u201cefeito espa\u00e7amento\u201d.<\/p>\n<p>Camundongos tinham que encontrar um peda\u00e7o de chocolate escondido em um labirinto em tr\u00eas diferentes oportunidades e o desenho do estudo definia diferentes pausas entre as tr\u00eas chances. No senso comum, pode-se imaginar que quanto mais pr\u00f3ximas as tentativas, mais facilmente os animais se lembrariam daquilo que aprenderam. Os pesquisadores demonstraram isso no curt\u00edssimo prazo, mas passadas algumas horas, o resgate da mem\u00f3ria era maior entre os animais que tiveram pausas mais longas entre as oportunidades de achar o chocolate. Pausas maiores fizeram com que as mesmas conex\u00f5es neuronais utilizadas em tentativas anteriores fossem ativadas, refor\u00e7ando o aprendizado a cada \u201cround\u201d. O conte\u00fado aprendido \u00e9 armazenado e pode ser recuperado reativando o mesmo grupo de neur\u00f4nios e suas conex\u00f5es.<\/p>\n<p>O \u201cefeito espa\u00e7amento\u201d foi descrito h\u00e1 mais de um s\u00e9culo em diversos mam\u00edferos, e esse \u00faltimo estudo nos mostra de forma bastante elegante como ele \u00e9 capaz de aumentar o potencial do aprendizado. Com pausas mais longas, a tarefa fica mais demorada, mas o conte\u00fado aprendido fica consolidado por mais tempo.<\/p>\n<p>E voltando aos humanos, ainda em 2021 foi descrito na revista Cell Reports o efeito compress\u00e3o durante as pausas, descrito poucos anos antes, mas de forma mais t\u00edmida. Dessa vez foi demonstrado de forma in\u00e9dita que, durante as pausas, o c\u00e9rebro continua treinando involuntariamente aquilo que o corpo estava praticando, s\u00f3 que numa velocidade 20 vezes maior. Esse \u00e9 o efeito compress\u00e3o. E ent\u00e3o? Vamos programar intervalos no seu estudo, no seu trabalho?<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente no site do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto:<\/strong>\u00a0www.pexels.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos comprovam que com pausas mais longas, a tarefa fica mais demorada, mas o conte\u00fado aprendido fica consolidado por mais tempo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4581,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4372"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4372"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4582,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4372\/revisions\/4582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}