{"id":4382,"date":"2023-10-17T11:55:38","date_gmt":"2023-10-17T14:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4382"},"modified":"2023-10-17T11:56:35","modified_gmt":"2023-10-17T14:56:35","slug":"colecionar-objetos-sera-que-e-so-um-hobby-ou-ja-virou-compulsao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/colecionar-objetos-sera-que-e-so-um-hobby-ou-ja-virou-compulsao\/","title":{"rendered":"Colecionar objetos: ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 um hobby ou j\u00e1 virou compuls\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">As cole\u00e7\u00f5es podem ser justificadas pelo valor est\u00e9tico, emocional e at\u00e9 material dos objetos. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, o comportamento de colecionador pode representar um sintoma patol\u00f3gico<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p>O h\u00e1bito de colecionar coisas, mesmo que n\u00e3o tenham qualquer utilidade \u00e0 primeira vista, \u00e9 comum entre crian\u00e7as e adultos, tanto em sociedades modernas quanto em primitivas. Tal h\u00e1bito tamb\u00e9m \u00e9 descrito em outras esp\u00e9cies. O costume de estocar alimento \u00e9 descrito em in\u00fameras esp\u00e9cies, mas n\u00e3o \u00e9 restrito \u00e0 comida. Alguns tipos de p\u00e1ssaros costumam juntar objetos met\u00e1licos e coloridos e hamsters preferem colecionar contas de vidro a juntar comida.<\/p>\n<p>A estocagem de alimento faz todo o sentido do ponto de vista de adapta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies como forma de prepara\u00e7\u00e3o para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e \u00e9 dif\u00edcil pensar em algu\u00e9m que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As cole\u00e7\u00f5es podem ser justificadas pelo valor est\u00e9tico e emocional dos objetos, e at\u00e9 mesmo pelo material, como \u00e9 o caso de obras de arte.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, o comportamento de colecionador n\u00e3o traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patol\u00f3gico. O indiv\u00edduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das \u201cquinquilharias\u201d. Nesses casos, \u00e9 mais comum a cole\u00e7\u00e3o de objetos que podem ser facilmente obtidos e, ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o, eles s\u00e3o deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa amea\u00e7a dar um fim na cole\u00e7\u00e3o. O ato de colecionar \u00e9 um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas est\u00e3o em alta ou em baixa.<\/p>\n<p>V\u00e1rias doen\u00e7as neuropsiqui\u00e1tricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patol\u00f3gico, como \u00e9 o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, s\u00edndrome de Tourette e diferentes tipos de dem\u00eancia. Estudos recentes t\u00eam demonstrado que les\u00f5es ou altera\u00e7\u00f5es no funcionamento de regi\u00f5es frontais do c\u00e9rebro, especialmente do lado direito, est\u00e3o associadas ao comportamento de colecionador patol\u00f3gico. \u00c9 como se essa regi\u00e3o do c\u00e9rebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro, como o sistema l\u00edmbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crian\u00e7as ainda n\u00e3o tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos dispon\u00edveis no mercado. Consumismo pode n\u00e3o ser o melhor nome para isso.<\/p>\n<p>Em um extremo podemos imaginar o colecionador comum e \u201csaud\u00e1vel\u201d, que tem toda a obra de seu escritor predileto, e j\u00e1 leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo, est\u00e1 o indiv\u00edduo que come\u00e7a a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que leem ou consultam apenas uma m\u00edsera parte dos livros que compra, mulheres que t\u00eam um quarto em casa s\u00f3 para guardar a cole\u00e7\u00e3o de centenas de sapatos, pessoas que j\u00e1 t\u00eam uma respeit\u00e1vel \u201ccole\u00e7\u00e3o\u201d de dinheiro, suficiente para sustentar tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia, tamb\u00e9m pelo prazer de ver sua cole\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es aumentar.<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria e imagem publicadas originalmente no site do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto: <\/strong>Liar Liur\/Unsplash<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cole\u00e7\u00f5es podem ser justificadas pelo valor est\u00e9tico, emocional e at\u00e9 material dos objetos. 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