{"id":4386,"date":"2023-11-03T15:56:55","date_gmt":"2023-11-03T18:56:55","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4386"},"modified":"2023-11-03T16:21:18","modified_gmt":"2023-11-03T19:21:18","slug":"posso-dificultar-a-vida-de-alguem-a-depender-das-minhas-escolhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/posso-dificultar-a-vida-de-alguem-a-depender-das-minhas-escolhas\/","title":{"rendered":"Posso dificultar a vida de algu\u00e9m a depender das minhas escolhas"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Metan\u00e1lise envolvendo 22 estudos mostra que 40% dos entrevistados preferem n\u00e3o saber a repercuss\u00e3o que uma escolha deles tem sobre outras pessoas. Essa prefer\u00eancia \u00e9, de certa forma, um ego\u00edsmo que n\u00e3o ficar\u00e1 mal na foto<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p>Farinha pouca, meu pir\u00e3o primeiro. Quando se pergunta a uma pessoa se ela tem interesse em saber as repercuss\u00f5es que uma escolha feita por ela mesma pode ter na vida dos outros, 40% respondem que n\u00e3o. Essa \u00e9 conclus\u00e3o de uma metan\u00e1lise envolvendo 22 estudos com mais de seis mil pessoas nos EUA e na Europa Ocidental.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 esta: voc\u00ea pode receber, por exemplo, um pr\u00eamio de 50 reais, sendo que um desconhecido receber\u00e1 a mesma quantia. Em vez de 50 reais, voc\u00ea pode optar por receber 60, mas o desconhecido receber\u00e1 apenas 10. Quando as pessoas s\u00e3o perguntadas se querem saber o quanto a escolha de 50 ou 60 reais influenciar\u00e1 nos outros, 40% optam por n\u00e3o saber e abocanhar o maior valor, ignorando o que o outro receberia. Essa prefer\u00eancia em n\u00e3o querer saber \u00e9, de certa forma, um ego\u00edsmo que n\u00e3o ficar\u00e1 mal na foto, j\u00e1 que a pessoa tem o trunfo de n\u00e3o saber que o outro ser\u00e1 prejudicado com sua escolha.<\/p>\n<p>O mesmo racioc\u00ednio \u00e9 v\u00e1lido quando pensamos no consumidor inconsciente, aquele que n\u00e3o faz quest\u00e3o de saber da responsabilidade social ou ambiental da empresa que fornece um determinado produto. Acompanhamos alguns lampejos de boicotes a marcas que n\u00e3o agem dentro da legalidade e est\u00e3o na contram\u00e3o da sustentabilidade. O que dir\u00e1 sobre n\u00e3o querer saber do impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, do alto consumo de carne bovina. A consci\u00eancia pode levar as pessoas a se sentirem compelidas, inconvenientemente for\u00e7adas a fazer mudan\u00e7as nos seus h\u00e1bitos. Lembra-se do document\u00e1rio sobre o aquecimento global Uma Verdade Inconveniente, com o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore? Vem \u00e0 minha mente agora a impressionante Comfortably Numb (confortavelmente entorpecido), de Roger Waters, m\u00fasica com que ele abriu seu show esta semana em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00e3o fiquemos desalentados com a esp\u00e9cie humana, pois o altru\u00edsmo existe independentemente de ter algu\u00e9m olhando ou n\u00e3o. Entretanto, o efeito plateia existe, sim, e n\u00e3o \u00e9 pequeno. O altru\u00edsmo \u00e9 uma especial caracter\u00edstica da esp\u00e9cie humana, j\u00e1 que estende os benef\u00edcios de nossas boas a\u00e7\u00f5es a indiv\u00edduos que n\u00e3o fazem parte do n\u00facleo familiar. Atualmente, h\u00e1 uma forte linha de pesquisas que busca explicar as ra\u00edzes de nossas a\u00e7\u00f5es altru\u00edstas atrav\u00e9s da ideia de que elas podem gerar ganhos do ponto de vista de reputa\u00e7\u00e3o, colocando o altru\u00edsmo como uma poss\u00edvel vantagem evolutiva, ou seja, indiv\u00edduos com comportamento altru\u00edsta teriam maior chance de sucesso em gerar descendentes.<\/p>\n<p>Esse efeito reputa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais refor\u00e7ado por evid\u00eancias de que a\u00e7\u00f5es altru\u00edsticas s\u00e3o maiores quando h\u00e1 plateia. Al\u00e9m dos potencias ganhos sociais, h\u00e1 outro n\u00edvel de recompensa, j\u00e1 que nosso sistema cerebral de recompensa e prazer \u00e9 ativado quando nos doamos para outras pessoas. O corpo atual do conhecimento nessa \u00e1rea nos faz pensar que nosso c\u00e9rebro evoluiu para se sentir bem fazendo bem aos outros e que isso permitiu que aument\u00e1ssemos nosso potencial de rela\u00e7\u00f5es e procria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O comportamento humano frente a situa\u00e7\u00f5es injustas refor\u00e7a ainda mais o papel da reputa\u00e7\u00e3o como base do altru\u00edsmo. Experimentos nos mostram que indiv\u00edduos que assistem a uma situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, que n\u00e3o os afeta pessoalmente, ganham em reputa\u00e7\u00e3o quando assumem um comportamento de puni\u00e7\u00e3o \u00e0 injusti\u00e7a. Esse comportamento tamb\u00e9m ativa os centros cerebrais de recompensa.<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria e imagem publicadas originalmente no site do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto: <\/strong>Unsplash\/Pawel Szvmanski<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metan\u00e1lise envolvendo 22 estudos mostra que 40% dos entrevistados preferem n\u00e3o saber a repercuss\u00e3o que uma escolha deles tem sobre outras pessoas. 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