{"id":4391,"date":"2023-11-14T16:45:56","date_gmt":"2023-11-14T19:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4391"},"modified":"2024-07-19T12:57:07","modified_gmt":"2024-07-19T15:57:07","slug":"uma-mentira-leva-a-outra-como-isso-funciona-no-cerebro-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/uma-mentira-leva-a-outra-como-isso-funciona-no-cerebro-3\/","title":{"rendered":"Uma mentira leva a outra. Como isso funciona no c\u00e9rebro?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">De acordo com um estudo publicado pela Revista Nature Neuroscience o c\u00e9rebro colabora para o famoso ditado &#8220;uma mentira leva a outra&#8221;<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p>Nosso c\u00e9rebro tem um mecanismo de alarme que acende a &#8220;luz vermelha&#8221; quando fazemos algo de perigoso, errado ou imoral. Contar uma mentira tem o poder de disparar esse alarme, tamb\u00e9m conhecido como am\u00edgdalas das regi\u00f5es temporais. Em um estudo publicado pela prestigiada revista Nature Neuroscience tivemos a demonstra\u00e7\u00e3o de como o c\u00e9rebro colabora para o fen\u00f4meno \u201cuma mentira leva a outra\u201d.<\/p>\n<p>Pesquisadores do University College of London estudaram atrav\u00e9s de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional os c\u00e9rebros de 80 volunt\u00e1rios durante um jogo que eles tinham a possibilidade de mentir para aumentar as chances de ganhar o jogo. Uma pequena mentira era capaz de estimular as am\u00edgdalas, e \u00e0 medida que novas mentiras iam sendo contadas, as am\u00edgdalas iam ficando menos estimuladas, iam adormecendo.<\/p>\n<p>Com as am\u00edgdalas adormecidas, o c\u00e9rebro ficaria mais encorajado a contatar mentiras mais robustas. E foi exatamente isso que os cientistas encontraram: \u00e0 medida que eles iam mentindo, as am\u00edgdalas iam se apagando e as mentiras ficavam cada vez mais ousadas. Voc\u00ea deve estar a\u00ed imaginando que muitas personalidades do nosso notici\u00e1rio di\u00e1rio devem ter as am\u00eddalas, n\u00e3o adormecidas, mas em coma.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de am\u00edgdalas adormecidas que a mentira vive. Regi\u00f5es frontais do c\u00e9rebro precisam estar intactas para que a mentira aconte\u00e7a. Vejam s\u00f3 o caso dos portadores da Doen\u00e7a de Parkinson. O Parkinson \u00e9 muito conhecido pelos seus sintomas motores tais como o tremor e rigidez, mas o fato \u00e9 que a doen\u00e7a vai muito al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 bem reconhecida a redu\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es cognitivas na evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e h\u00e1 quase um s\u00e9culo j\u00e1 se descrevia que os parkinsonianos apresentavam uma personalidade peculiar e os estudos t\u00eam consistentemente demonstrado que h\u00e1 uma tend\u00eancia a um maior grau de determina\u00e7\u00e3o, seriedade e inflexibilidade.<\/p>\n<p>O processo de degenera\u00e7\u00e3o cerebral associado \u00e0 doen\u00e7a \u00e9 visto como um grande candidato para explicar esses tra\u00e7os de personalidade. A honestidade tamb\u00e9m \u00e9 descrita como um tra\u00e7o peculiar da personalidade do parkinsoniano, descrita como uma tend\u00eancia em n\u00e3o mentir.<\/p>\n<p>Nesse caso, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que os doentes tenham dificuldade em mentir devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es cerebrais e n\u00e3o porque sejam genuinamente mais honestos. E foi isso que pesquisadores japoneses conseguiram confirmar em um elegante estudo publicado no peri\u00f3dico especializado Brain.<\/p>\n<p>Num teste psicol\u00f3gico experimental, indiv\u00edduos com o diagn\u00f3stico da Doen\u00e7a de Parkinson apresentaram mais dificuldade em dar respostas falsas quando comparados ao grupo controle sem a doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, foi demonstrado que essa dificuldade em mentir foi maior entre os parkinsonianos que tinham menor metabolismo cerebral nas regi\u00f5es pr\u00e9-frontais, medido por tomografia por emiss\u00e3o de positrons (PET).<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 haviam demonstrado que essas mesmas regi\u00f5es pr\u00e9-frontais s\u00e3o ativadas quando um indiv\u00edduo saud\u00e1vel conta uma mentira. Essa foi a primeira vez que se demonstrou a base biol\u00f3gica da personalidade honesta dos portadores da Doen\u00e7a de Parkinson e que esta est\u00e1 associada \u00e0 disfun\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es frontais do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente no site do <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto:<\/strong>www.pexels.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com um estudo publicado pela Revista Nature Neuroscience o c\u00e9rebro colabora para o famoso ditado &#8220;uma mentira leva a outra&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4586,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4391"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4587,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions\/4587"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}