{"id":4456,"date":"2024-03-08T18:10:56","date_gmt":"2024-03-08T21:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4456"},"modified":"2024-07-19T18:42:30","modified_gmt":"2024-07-19T21:42:30","slug":"crise-da-meia-idade-como-se-manifesta-e-qual-e-o-real-tamanho-dela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/crise-da-meia-idade-como-se-manifesta-e-qual-e-o-real-tamanho-dela\/","title":{"rendered":"Crise da meia idade: como se manifesta e qual \u00e9 o real tamanho dela?"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Estudos populacionais mostram que, ao longo da vida, as pessoas sentem-se menos felizes nesta \u00e9poca da vida. Mas nem todo mundo entra em depress\u00e3o ou come\u00e7a a abusar do \u00e1lcool ou outras subst\u00e2ncias psicoativas.<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p class=\"texto\">A meia-idade \u00e9 um per\u00edodo de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande inseguran\u00e7a emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no m\u00e1ximo um quarto dos quarent\u00f5es e cinquent\u00f5es. Ao tomarem consci\u00eancia de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: come\u00e7am a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e n\u00e3o fizeram.<\/p>\n<p class=\"texto\">As estat\u00edsticas v\u00e3o de 10% a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a\u00a0perda do emprego\u00a0ou de um parente foram muito mais importantes que a idade por si s\u00f3. Nem todo mundo entra em depress\u00e3o ou come\u00e7a a abusar do \u00e1lcool ou outras subst\u00e2ncias psicoativas.<\/p>\n<p class=\"texto\">Estudos populacionais mostram que, ao longo da vida, as pessoas sentem-se menos felizes nesta \u00e9poca da vida. H\u00e1 um comportamento chamado de curva em formato de \u201cU\u201d. A base do \u201cU\u201d \u00e9 o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do \u201cU\u201d representam a velhice e a inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que \u00e9 os quarenta e poucos anos. Fatores biol\u00f3gicos podem ter sua import\u00e2ncia, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes.<\/p>\n<p class=\"texto\">Muitos percebem\u00a0falhas cognitivas\u00a0que n\u00e3o apresentavam antes, e uma desconfian\u00e7a de que seja o in\u00edcio de uma doen\u00e7a neurodegenerativa. A\u00a0doen\u00e7a de Alzheimer, que \u00e9 a principal causa de dem\u00eancia, n\u00e3o costuma acometer as pessoas antes dos 60 anos de idade. Existe o envelhecimento normal do c\u00e9rebro, assim como o de qualquer \u00f3rg\u00e3o do corpo, mas algumas pessoas caem numa espiral ps\u00edquica negativa por n\u00e3o tolerarem pequenas mudan\u00e7as. Na d\u00favida, converse com um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>As mulheres ainda passam pela transi\u00e7\u00e3o para a\u00a0menopausa, per\u00edodo em que as queixas cognitivas se acentuam, mas, felizmente, somente durante a transi\u00e7\u00e3o. E as dificuldades no homem n\u00e3o devem ter como vil\u00e3o um baixo n\u00edvel de testosterona. A esmagadora maioria dos homens n\u00e3o apresenta hipogonadismo e, por isso, o termo andropausa \u00e9 t\u00e3o criticado pelos endocrinologistas.<\/p>\n<p class=\"texto\">O c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 menor aos 40 anos quando comparado \u00e0 adolesc\u00eancia, mas a experi\u00eancia e a sabedoria da maturidade contornam facilmente essas quest\u00f5es morfol\u00f3gicas. No ano de 2017, uma pesquisa publicada pelo peri\u00f3dico PLOS ONE, envolvendo mais de tr\u00eas mil volunt\u00e1rios com idades entre 16 e 44 anos, mostrou que, aos 24 anos, alcan\u00e7amos nosso pico de desempenho cognitivo-motor.<\/p>\n<p class=\"texto\">Apontou ainda que a maturidade traz algumas compensa\u00e7\u00f5es. O desempenho dos volunt\u00e1rios, ap\u00f3s milhares de horas num jogo de computador com a mesma l\u00f3gica do xadrez, foi medido pela rapidez com que reagiram aos seus oponentes e pelas estrat\u00e9gias que usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensaram a desvantagem de velocidade com estrat\u00e9gias mais eficientes no jogo. Neste mesmo ano, Roger Federer, aos 35 anos, ganhou seu oitavo t\u00edtulo de Wimbledon e foi o atleta mais velho a fatur\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Quando se pensa em criatividade, a maturidade traz tamb\u00e9m suas compensa\u00e7\u00f5es. Uma an\u00e1lise feita das carreiras de 31 ganhadores do Nobel de economia nos mostra que existem \u00e9pocas na vida em que somos mais criativos. Nessa avalia\u00e7\u00e3o, foram encontradas duas ondas diferentes de criatividade, uma por volta dos vinte e poucos anos e outra entre os cinquenta e sessenta anos.<\/p>\n<p class=\"texto\">A primeira onda foi chamada de inova\u00e7\u00e3o de conceitos. \u00c9 o pensar \u201cfora da caixinha\u201d, em que novas ideias p\u00f5em em xeque o saber convencional. A segunda onda, chamada de inova\u00e7\u00e3o experimental, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir do saber acumulado e nos traz formas in\u00e9ditas de an\u00e1lise, interpreta\u00e7\u00e3o e s\u00edntese. Os resultados s\u00e3o concordantes com estudos pr\u00e9vios que analisaram ondas de criatividade nas artes e em outras \u00e1reas da ci\u00eancia. Pablo Picasso e Albert Einstein tiveram suas maiores cria\u00e7\u00f5es na primeira onda, enquanto Paul C\u00e9zanne, Virginia Woolf e Charles Darwin brilharam mais na segunda onda. A Teoria da Relatividade foi publicada por Einstein aos 26 anos de idade e Darwin publicou a Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o aos 51 anos.<\/p>\n<p class=\"texto\">Um outro estudo, publicado pela\u00a0<em>Nature Human Behavior<\/em>, mostra que, com o envelhecimento, temos realmente um decl\u00ednio no desempenho da aten\u00e7\u00e3o e das fun\u00e7\u00f5es executivas, fato bem demonstrado por in\u00fameros estudos. Entretanto, os pesquisadores apontaram tamb\u00e9m que algumas fun\u00e7\u00f5es executivas e de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresentaram piora. Volunt\u00e1rios, at\u00e9 mesmo entre os 70 e 80 anos de idade, revelaram melhor desempenho que os mais jovens.<\/p>\n<p class=\"texto\">Nesse \u00faltimo estudo, o estado de alerta realmente foi menor entre os mais velhos. \u00c9 a capacidade de estar pronto para frear o carro numa intersec\u00e7\u00e3o. J\u00e1 nos testes de orienta\u00e7\u00e3o espacial, definida como a capacidade de mudar o foco de aten\u00e7\u00e3o para um outro ponto do espa\u00e7o, os velhos se sa\u00edram melhor. \u00c9 a capacidade de perceber, por exemplo, um pedestre aguardando para atravessar na faixa. J\u00e1 na capacidade executiva de inibir est\u00edmulos que levam \u00e0 distra\u00e7\u00e3o do foco naquilo que realmente interessa, os velhos tamb\u00e9m foram melhores. \u00c9 a capacidade de n\u00e3o ficar prestando aten\u00e7\u00e3o nos passarinhos e reduzir o foco na dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas como explicar o melhor desempenho em um c\u00e9rebro mais velho que j\u00e1 passou por in\u00fameras altera\u00e7\u00f5es estruturais e fisiol\u00f3gicas? A experi\u00eancia ao longo dos anos \u00e9 capaz de explicar esse fen\u00f4meno? H\u00e1 um robusto corpo de evid\u00eancias de mecanismos adaptativos para reduzir o impacto das perdas que acumulamos ao longo dos anos. Isso vai desde compensa\u00e7\u00f5es no metabolismo cerebral, como ter o mesmo resultado com menos energia. Maior a experi\u00eancia, menor ativa\u00e7\u00e3o neuronal, menor gasto energ\u00e9tico e maior efici\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"texto\">Essa adapta\u00e7\u00e3o envolve tamb\u00e9m a reorganiza\u00e7\u00e3o de redes neurais ao longo das d\u00e9cadas. A reorganiza\u00e7\u00e3o conta at\u00e9 com o recrutamento de \u00e1reas do c\u00e9rebro n\u00e3o t\u00e3o envolvidas entre os jovens para uma dada tarefa, incluindo a participa\u00e7\u00e3o maior de ambos os hemisf\u00e9rios, como \u00e9 o caso da mem\u00f3ria epis\u00f3dica. E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a atividade f\u00edsica e os est\u00edmulos cognitivos amplificam o impacto desses mecanismos adaptativos.<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mat\u00e9ria originalmente no site do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\n<\/strong>Cr\u00e9dito foto:<strong>\u00a0www.pexels.com<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos populacionais mostram que, ao longo da vida, as pessoas sentem-se menos felizes nesta \u00e9poca da vida. 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