{"id":4461,"date":"2024-03-15T09:55:10","date_gmt":"2024-03-15T12:55:10","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4461"},"modified":"2024-07-19T18:47:07","modified_gmt":"2024-07-19T21:47:07","slug":"deficit-de-atencao-e-hiperatividade-podem-ter-significado-vantagem-evolutiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/deficit-de-atencao-e-hiperatividade-podem-ter-significado-vantagem-evolutiva\/","title":{"rendered":"Deficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade podem ter significado vantagem evolutiva"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Estudo que tra\u00e7os de de desaten\u00e7\u00e3o e impulsividade, comuns em pacientes com TDAH, podem ter sido \u00fateis para a sobreviv\u00eancia quando \u00e9ramos n\u00f4mades.<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<p class=\"texto\">No final de fevereiro, pesquisadores da Universidade da Pensilv\u00e2nia, nos EUA, publicaram um estudo experimental que apoia a vis\u00e3o de que tra\u00e7os de desaten\u00e7\u00e3o e impulsividade comuns nos pacientes com transtorno de deficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (TDAH) podem ter sido \u00fateis para a sobreviv\u00eancia em tempos em que \u00e9ramos n\u00f4mades.<\/p>\n<p>Em um jogo on-line, os participantes do estudo tinham que coletar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de frutos e quanto mais tempo passavam no mesmo arbusto, menos frutos ficavam dispon\u00edveis nesta arvorezinha. Aqueles que tinham maiores escores de sintomas de TDAH tinham uma tend\u00eancia em buscar outros arbustos e, apesar de demandar um pouco mais de tempo, tiveram, no final, pontua\u00e7\u00f5es maiores. A pesquisa foi publicada pelo renomado peri\u00f3dico<em>\u00a0Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences<\/em>. Metan\u00e1lise recente com estudos globais aponta que preval\u00eancia de TDAH, entre crian\u00e7as, situa-se entre 7% e 8%, e, nos adolescentes, entre 5% e 6%. Nos EUA, os n\u00fameros passam de 10% em ambos os casos.<\/p>\n<p>Como neurologista, convivo diariamente com pessoas que sofrem de condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que, de t\u00e3o frequentes na popula\u00e7\u00e3o, me ativam o pensamento de que, se s\u00e3o t\u00e3o comuns, pode ter existido alguma vantagem no percurso de nossa evolu\u00e7\u00e3o para chegarmos nos dias de hoje com esses altos \u00edndices de preval\u00eancia. Fazem parte da lista do C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7as (CID) e, para quem as sofre e procura ajuda m\u00e9dica, claro que \u00e9 doen\u00e7a, pois est\u00e1 influenciando as atividades do dia a dia.<\/p>\n<p class=\"texto\">Enxaqueca\u00a0\u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico. Acomete 8% dos homens e 20% das mulheres. Muita gente! Muitos v\u00e3o ter suas crises de dor desencadeadas por fatores como jejum prolongado e excesso de sono. Estes t\u00eam um alarme no c\u00e9rebro, enxaqueca, que aponta que n\u00e3o vale a pena repetir essas atitudes, que n\u00e3o jogavam a favor da sobreviv\u00eancia em tempos da caverna. Podem ter apresentado mais sucesso em gerar descendentes ao longo de milhares de anos.<\/p>\n<p>Outro exemplo:\u00a0s\u00edncope. Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentar\u00e1 pelo menos um epis\u00f3dio de perda de consci\u00eancia ao longo da vida. Mais uma vez: \u00e9 muita gente! Um fator que frequentemente desencadeia s\u00edncope \u00e9 a vis\u00e3o de sangue. Um paciente meu j\u00e1 desmaiou no cinema assistindo a um filme do Tarantino! A s\u00edncope \u00e9 vista como uma estrat\u00e9gia arcaica de sobreviv\u00eancia. A vis\u00e3o do sangue pode ter sido o resultado de um ataque de uma on\u00e7a. Se voc\u00ea est\u00e1 sangrando, \u00e9 melhor um colapso da press\u00e3o arterial para estancar o sangramento.<\/p>\n<p class=\"texto\">Charles Darwin j\u00e1 apontava um comportamento de defesa entre os animais, que era o de \u201cse fazer de morto\u201d quando eram amea\u00e7ados por um predador. Isso acontece especialmente se o comportamento cl\u00e1ssico de sobreviv\u00eancia de luta ou fuga n\u00e3o tem a m\u00ednima chance de sucesso. H\u00e1 descri\u00e7\u00f5es dessa resposta em diversas formas de vertebrados que incluem os peixes, aves e mam\u00edferos.<\/p>\n<p>E mais um:\u00a0dem\u00eancia.\u00a0Calcula-se que a chance de desenvolvermos um quadro demencial seja de 25%, se ultrapassarmos os 80 anos de vida, e de 50% se passarmos dos 90. Esse cen\u00e1rio era bem diferente no caso de nossos ancestrais, pois eles n\u00e3o envelheciam e toda a programa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica estava concentrada em oferecer condi\u00e7\u00f5es para que o indiv\u00edduo conseguisse se reproduzir e perpetuar a esp\u00e9cie. Nossa grande longevidade \u00e9 um fen\u00f4meno bem recente, e n\u00e3o houve tempo de nos adaptarmos geneticamente a esse novo cen\u00e1rio. Vale lembrar que a expectativa de vida do Australopitecus, h\u00e1 4 milh\u00f5es de anos, era de apenas 15 anos; 25 anos no caso dos europeus na Idade M\u00e9dia; cerca de 40 anos no s\u00e9culo 19; e 55 anos no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp, professor do curso de medicina do Unieuro e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente no site do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\n<\/strong>Cr\u00e9dito foto:<strong>\u00a0www.pexels.com<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo que tra\u00e7os de de desaten\u00e7\u00e3o e impulsividade, comuns em pacientes com TDAH, podem ter sido \u00fateis para a sobreviv\u00eancia quando \u00e9ramos n\u00f4mades.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4602,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4461"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4461"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4603,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4461\/revisions\/4603"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}