{"id":4690,"date":"2024-12-05T21:48:06","date_gmt":"2024-12-06T00:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=4690"},"modified":"2025-10-09T12:29:35","modified_gmt":"2025-10-09T15:29:35","slug":"movimento_neurodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/movimento_neurodiversidade\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea precisa saber do movimento da neurodiversidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">O movimento de conscientiza\u00e7\u00e3o da neurodiversidade, uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para garantia de direitos, come\u00e7ou pelo espectro autista, mas se expande naturalmente para in\u00fameras disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas em que seus portadores vivem uma marginaliza\u00e7\u00e3o de suas limita\u00e7\u00f5es<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>Por <strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira<\/strong>*<\/p>\n<div id=\":2uw\" class=\"Am aiL Al editable LW-avf tS-tW tS-tY\" tabindex=\"1\" role=\"textbox\" contenteditable=\"true\" spellcheck=\"false\" aria-label=\"Corpo da mensagem\" aria-multiline=\"true\" aria-owns=\":2xc\" aria-controls=\":2xc\" aria-expanded=\"false\">\n<p>O jornalista Stevens Silbermann, autor do best-seller Neurotribes, publicado em 2015 e ainda sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, disse: &#8220;Poucas pessoas podem dizer que cunharam um termo que tenha mudado o mundo para melhor, em uma dire\u00e7\u00e3o mais humana e com mais compaix\u00e3o. Judy Stinger pode&#8221;.<\/p>\n<p>Judy \u00e9 uma australiana que apresentou ao mundo em 1998 o conceito de neurodiversidade em sua tese, ainda na gradua\u00e7\u00e3o, na Universidade de Tecnologia de Sydney. O trabalho pode ser conferido no livro Neurodiversity: The birth of an idea (Neurodiversidade: O nascimento de uma ideia, em tradu\u00e7\u00e3o livre). A obra traz uma reflex\u00e3o sociol\u00f3gica sobre grupos com disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas marginalizadas, com foco especial nos portadores do transtorno do espectro autista, chamando os leitores para uma revolu\u00e7\u00e3o da neurodiversidade assim como houve a revolu\u00e7\u00e3o feminista. O livro tamb\u00e9m n\u00e3o tem tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de Judy acendeu a chama para que essa revolu\u00e7\u00e3o acontecesse. S\u00e3o in\u00fameras entidades ao redor do mundo que carregam a bandeira da neurodiversidade lutando para que o mundo respeite as diferen\u00e7as e d\u00ea condi\u00e7\u00f5es para que os neurodiversos, aqueles que n\u00e3o representam a maioria, n\u00e3o sejam estigmatizados, e mais que tenham acesso a oportunidades de inser\u00e7\u00e3o na sociedade, incluindo o trabalho, uma vez que muitos s\u00e3o capazes de contribuir de forma sofisticada. Alguns t\u00eam talentos e capacidades que os neurot\u00edpicos, a maioria, nem sonham em ter. S\u00f3 precisam encontrar o ambiente e o tipo de trabalho certos e muitas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam trabalhado para que isto aconte\u00e7a. No Blog de Judy voc\u00ea encontra: &#8220;Eu n\u00e3o estou aqui para tornar o capitalismo mais eficiente, mas para torn\u00e1-lo mais humano&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das p\u00e9rolas do seu trabalho \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre o modelo m\u00e9dico e social de incapacidade. Uma pessoa pode ter uma defici\u00eancia, mas isso passa a ser uma incapacidade quando lhe s\u00e3o colocadas barreiras e pr\u00e1ticas sociais que dificultam suas oportunidades de inser\u00e7\u00e3o social. \u00c9 claro que toda condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 permeada pelo espectro de gravidade e h\u00e1 um subgrupo em cada uma dessas condi\u00e7\u00f5es que est\u00e1 no extremo mais grave, no qual a defici\u00eancia dificilmente ser\u00e1 diferente de incapacidade.<\/p>\n<p>E quando falamos de neurot\u00edpicos e neurodiversos, vale contextualizar o conceito de normal. A palavra normal na sa\u00fade s\u00f3 passou a ser registrada na l\u00edngua inglesa na metade do s\u00e9culo 19, \u00e9poca em que a estat\u00edstica passou a ser utilizada na sa\u00fade p\u00fablica. O termo era o mais pr\u00f3ximo do que se chamava de &#8220;ideal&#8221;, caracter\u00edstica mais pr\u00f3pria dos deuses do que dos mortais. Os estudiosos em incapacidade argumentam que o que chamamos hoje de normal, a maioria, raramente alcan\u00e7a o estado ideal.<\/p>\n<p>E voc\u00ea? Voc\u00ea se considera um neuroideal? Parab\u00e9ns. Que d\u00e1diva gen\u00e9tica que voc\u00ea herdou! Ou os parab\u00e9ns podem ser tamb\u00e9m por sua disciplina com os cuidados com a sa\u00fade. Mas tenho que lhe dizer que grande parte da humanidade est\u00e1 longe de voc\u00ea ou dos deuses. N\u00e3o estou sendo ir\u00f4nico. O Global Burden of Disease Study (GBD) \u00e9 um dos maiores esfor\u00e7os para medir a morbimortalidade das principais doen\u00e7as ao redor do mundo, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates e sob a chancela da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Sua \u00faltima an\u00e1lise foi publicada no prestigiado peri\u00f3dico The Lancet Neurology, em 2024, e apontou que o grupo das condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas representa a maior causa de anos perdidos de vida saud\u00e1vel (DALYs), seguido pelo grupo de doen\u00e7as cardiovasculares. Os resultados tamb\u00e9m mostraram que 43,1% das pessoas no mundo sofrem de alguma disfun\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, seja por uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica prim\u00e1ria ou por efeito de outras condi\u00e7\u00f5es que afetam o sistema nervoso. E esse sistema \u00e9 o que faz nossa rela\u00e7\u00e3o com o ambiente, e isso envolve a rela\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p>A difus\u00e3o do conhecimento tem ajudado a reduzir o estigma sobre as disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, mas ainda de forma muito incipiente. \u00c9 a pessoa que sofre de enxaqueca e sente que as pessoas acham que ela supervaloriza sua condi\u00e7\u00e3o ou se aproveita dela. E v\u00ea cara feia quando pede a algu\u00e9m para evitar o uso de perfume, pois desencadeia suas crises. \u00c9 o portador da Doen\u00e7a de Parkinson que, por ter uma menor express\u00e3o da m\u00edmica facial e uma monotonia na voz, \u00e9 tratado de forma infantilizada. S\u00e3o exemplos de neurodiversos, c\u00e9rebros que funcionam diferente, mas os outros n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia disso. Muitos sofrem de algum grau de marginaliza\u00e7\u00e3o por falta de compreens\u00e3o plena das suas diferen\u00e7as pela sociedade.<\/p>\n<p>O movimento de conscientiza\u00e7\u00e3o da neurodiversidade, uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para garantia de direitos, come\u00e7ou pelo espectro autista, mas se expande naturalmente para in\u00fameras disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas em que seus portadores vivem uma marginaliza\u00e7\u00e3o de suas limita\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o desejo expresso de Judy na sua obra seminal. Hoje, s\u00e3o comumente inclu\u00eddos sob esse guarda-chuva, al\u00e9m do autismo, o transtorno de deficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade, dislexia, transtorno bipolar, entre outros. Percebo no consult\u00f3rio o discurso libertador e empoderado daqueles que encontraram sua tribo e dizem sem timidez que s\u00e3o neurodiversos.<\/p>\n<\/div>\n<p>*<strong>Dr. Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente no site do <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">Correio Braziliense<\/a>.<br \/>\nCr\u00e9dito foto:<\/strong> PEXELS<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento de conscientiza\u00e7\u00e3o da neurodiversidade, uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para garantia de direitos, come\u00e7ou pelo espectro autista, mas se expande naturalmente para in\u00fameras disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas em que seus portadores vivem uma marginaliza\u00e7\u00e3o de suas limita\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5206,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,58,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4690"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4690"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4713,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4690\/revisions\/4713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}