{"id":5409,"date":"2026-09-21T11:39:42","date_gmt":"2026-09-21T14:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/?p=5409"},"modified":"2026-09-21T11:39:42","modified_gmt":"2026-09-21T14:39:42","slug":"a-incerteza-pode-ser-pior-do-que-uma-noticia-ruim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/a-incerteza-pode-ser-pior-do-que-uma-noticia-ruim\/","title":{"rendered":"A incerteza pode ser pior do que uma not\u00edcia ruim"},"content":{"rendered":"<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">Estudo mostra que a mente humana tolera melhor o impacto de um fato ruim do que a ansiedade do desconhecido.<br \/>\n<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"m_4422705779587974637yui_3_16_0_ym19_1_1511348855948_49464\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div id=\"m_-1278217216785674693ydp9dc2daf3yiv0291208248yMail_cursorElementTracker_1606865733683\" dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div dir=\"ltr\">\n<hr \/>\n<p dir=\"ltr\">Quando algu\u00e9m nos fala: tenho duas not\u00edcias pra contar, uma boa e outra ruim. Qual voc\u00ea quer ouvir primeiro? A grande maioria responde que quer ouvir a ruim antes. Reconhece-se que o ser humano tem uma tend\u00eancia a dar mais aten\u00e7\u00e3o a informa\u00e7\u00f5es negativas do que \u00e0s positivas. Ter consci\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es negativas, e presumivelmente amea\u00e7adoras, pode ser visto como um tra\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p class=\"texto\">E o que dizer do incerto? Numa situa\u00e7\u00e3o em que algu\u00e9m nos diz: Tenho uma coisa para lhe contar. Voc\u00ea quer ouvir? Poucos devem discordar que a maioria nessa situa\u00e7\u00e3o diria: conta logo! A incerteza \u00e9 vista pela psicologia como a antecipa\u00e7\u00e3o de uma amea\u00e7a pouco definida. Se a exposi\u00e7\u00e3o a um est\u00edmulo negativo representa uma amea\u00e7a, a exposi\u00e7\u00e3o ao desconhecido pode ser ainda mais amea\u00e7adora, j\u00e1 que n\u00e3o se sabe o tamanho do suposto inimigo. Alguns estudos nos mostram que o suspense da incerteza gera mais altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas associadas \u00e0 ansiedade do que o confronto a est\u00edmulos negativos bem definidos.<\/p>\n<p class=\"texto\">Uma pesquisa publicada pelo peri\u00f3dico Nature Communications confirma essa ideia. Volunt\u00e1rios mostravam mais sinais f\u00edsicos de estresse quando estavam numa situa\u00e7\u00e3o de expectativa do que quando j\u00e1 sabiam que o desfecho tinha grande chance de ser ruim. O estudo foi feito com um game em que os participantes tinham que atravessar um terreno pedregoso e ficar atentos a cobras. Caso encontrassem uma cobra eles levariam um pequeno choque. Quando a chance de se deparar com uma cobra era de 50%, n\u00edveis m\u00e1ximos de estresse eram encontrados. Quando a chance era de zero ou 100%, os n\u00edveis de estresse ca\u00edam a n\u00edveis m\u00ednimos. Por outro lado, o estresse trouxe tamb\u00e9m seus efeitos ben\u00e9ficos. Quanto maiores os n\u00edveis de estresse maior foi a capacidade de fugir das cobras. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Londres.<\/p>\n<p class=\"texto\">Outra pesquisa publicada pela revista Nature Neuroscience revelou que os macacos tamb\u00e9m querem saber das coisas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, e que do ponto de vista neuroqu\u00edmico, esse acesso adiantado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante ao de outros tipos de recompensa cerebral. Neste caso, o experimento envolvia a recompensa de uma quantidade de \u00e1gua maior ou menor. Outras pesquisas t\u00eam mostrado que, quando o assunto em quest\u00e3o envolve uma experi\u00eancia negativa, a prefer\u00eancia por acesso r\u00e1pido \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p class=\"texto\">Sabe-se desde a d\u00e9cada de 1990 que h\u00e1 um contingente de pessoas com transtornos de ansiedade que tem muita dificuldade com a incerteza, e essa dificuldade \u00e9 vista hoje como um tra\u00e7o de personalidade. As pessoas com quadro de anorexia costumam ter tra\u00e7os de personalidade de perfeccionismo, os obsessivos-compulsivos t\u00eam n\u00edveis de responsabilidade inflados, e a psicoterapia nessas condi\u00e7\u00f5es foca os esfor\u00e7os para fazer com que essas caracter\u00edsticas sejam moduladas permitindo um melhor equil\u00edbrio mental. Da mesma forma, as pessoas com alta vulnerabilidade ao incerto devem ter o tratamento psicoter\u00e1pico focado nessa fraqueza.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong><em dir=\"ltr\">*Ricardo Afonso Teixeira \u00e9 doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do C\u00e9rebro de Bras\u00edlia.<br \/>\n<\/em><\/strong><strong>Cr\u00e9dito foto:<\/strong> Pexels<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo mostra que a mente humana tolera melhor o impacto de um fato ruim do que a ansiedade do desconhecido.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5410,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[]},"categories":[57,52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5409"}],"collection":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5411,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5409\/revisions\/5411"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icbneuro.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}