O cérebro na menopausa tem redução de áreas ligadas à memória e controle das emoções
Estudo publicado no último mês demonstra que o cérebro na menopausa tem redução do volume de áreas ligadas à memória, como o córtex entorrinal e hipocampo, e de uma área fortemente associada à modulação das emoções, o cÃngulo anterior. As mulheres na menopausa passaram a apresentar mais insônia e sintomas de ansiedade e depressão. Houve uma resposta positiva da reposição hormonal na velocidade de reação das mulheres, mas não na memória. O estudo envolveu cerca de 125 mil mulheres e foi publicado por pesquisadores da Universidade de Cambridge no periódico Psychological Medicine.
Uma forma de explicar um menor desempenho na transição da menopausa é que a redução e flutuação dos nÃveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória e controle das emoções. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os nÃveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.
Quanto ao efeito da reposição hormonal sobre a memória, as mulheres se beneficiam quando a utilizam antes do término da menstruação, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Temos até evidências que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode levar à perda do volume de substância cinzenta do cérebro e declÃnio cognitivo.
Barbara Sahaki, a autora principal do presente estudo, recomenda que enquanto não temos ferramentas mais avançadas para mitigar esses efeitos da menopausa, uma rotina daquelas coisas que fazem bem ao cérebro é a grande saÃda: exercÃcios fÃsicos, sono reparador, atividades que mantenham a mente ativa, dieta saudável e manutenção de uma rede social positiva.
*Dr. Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de BrasÃlia.
Crédito foto: Imagem gerada pela IA Gemini






