Quais são os efeitos da poluição na saúde do cérebro?
Pesquisas clínicas apontam que quem mora perto de áreas com grande circulação de automóveis tem um risco maior de desenvolver um quadro de demência. Há evidencias em roedores que a poluição do ar promove estados de inflamação no cérebro, assim como o fenômeno de degeneração. Já foi demonstrado também que o ar poluído aumenta o grau de aterosclerose que por sua vez pode levar ao aumento da incidência de lesões vasculares no cérebro.
Vale lembrar que as lesões vasculares representam a segunda causa mais comum de demência na maioria das populações, perdendo apenas para a Doença de Alzheimer. Em algumas populações, a demência por lesões vasculares é até mais frequente que a Doença de Alzheimer.
E tem também a poluição sonora
A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando o risco de lesões vasculares, não só no coração, mas também no cérebro. Uma pesquisa recém-publicada revela que morar próximo a rodovias que fazem com que a pessoa fique exposta a altos níveis de ruído está associado à obesidade. Essa ligação pode ser explicada pelo estresse de conviver com o barulho e o consequente aumento do hormônio cortisol, aumentando a tendência de ganho de peso, assim com uma menor qualidade de sono que também facilita o ganho ponderal.
Ruído em excesso mexe com o corpo e a mente. Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalha o desempenho cognitivo. Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.
Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes…
Confira o áudio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a Rádio CBN Brasília:






