Estudo aponta que poluição do ar está associada a um pior controle da enxaqueca
Uma pesquisa recém-publicada na Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, mostra que a poluição, tanto no curto prazo, como de forma cumulativa, está ligada a uma pior evolução da enxaqueca. Também foi demonstrada uma associação entre pior controle das crises em dias mais quentes. Os achados permitem que pessoas que sofrem de enxaqueca sejam mais cautelosas nessas situações em que o meio ambiente não ajuda, podendo lançar mão de filtros de ar ou até mesmo evitar atividades ao ar livre.
Houve uma maior relação do calor com crises no médio-prazo, enquanto no caso da poluição atmosférica, essa conexão foi de curtÃssimo prazo. No dia em que houve mais registros de buscas aos serviços de saúde por uma crise de enxaqueca, o nÃvel de poeira suspensa no ar era o dobro da média de todo o perÃodo do estudo. Poluição com origem em veÃculos automotivos e indústrias também foi significativamente maior nesse dia em que se registrou mais crises.
Ao mesmo tempo, no dia em que se teve o menor número de registros de crises, houve também nÃveis de poluição abaixo da média. Já é conhecido que partÃculas finas da poluição atmosférica induzem o estresse oxidativo, disfunção vascular e inflamação sistêmica, ativando o complexo trigeminovascular que culmina na liberação do peptÃdeo relacionado ao gene da calcitonina.
Este último é um mediador chave na gênese de uma crise de enxaqueca. Fatores climáticos como o calor, por sua vez, influenciam a função do hipotálamo que regula o sistema nervoso autônomo, deixando o cérebro mais suscetÃvel a uma crise de enxaqueca.
*Dr. Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de BrasÃlia.
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