Pesquisa desvenda mecanismo de controle da irrigação cerebral
Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. Um colapso da circulação sanguÃnea do cérebro é o que explica a perda de consciência em grande parte dos casos e essa condição clÃnica é chamada de sÃncope. Quatro ou cinco segundos de fluxo sanguÃneo cerebral de menor pressão são suficientes para levar à perda de consciência.
São várias as causas de sÃncope, mas a mais comum é chamada de sÃncope vasovagal e, mais recentemente, de sÃncope neurocardiogênica. Ela acontece por um controle ineficiente do ritmo cardÃaco e/ou do calibre dos vasos sanguÃneos por parte do sistema nervoso em situações especÃficas como a posição em pé por tempo prolongado. Um quarto da população apresentará pelo menos um episódio desse tipo de sÃncope durante a vida e o componente genético dessa condição já é bem demonstrado.
Um estudo da Universidade de Harvard, recentemente publicado pela Nature, joga luz nos mecanismos que fazem com que nosso corpo se adapte ao efeito da gravidade ao ficarmos em pé: neurônios no coração (isso mesmo!) podem colaborar para a manutenção da pressão de fluxo sanguÃneo cerebral nessa condição. A pesquisa demonstrou que uma proteÃna chamada PIEZO2 é capaz de converter a pressão nas membranas celulares do coração em sinais elétricos nesses neurônios. Camundongos ao assumirem a posição ortostática (em pé) têm o ajuste do ritmo cardÃaco para compensar essa postura, mas quando a PIEZO2 é bloqueada esse efeito não acontece. Quando se provoca uma hemorragia nesses animais, o primeiro alarme para a compensação da pressão de fluxo é dado por neurônios que têm a expressão da proteÃna PIEZO2. Isso sugere que o controle fino do fluxo cerebral se dá antes pelo volume de sangue que passa pelo coração do que pelos longamente conhecidos receptores de pressão na aorta e nas carótidas. Camundongos têm neurônios PIEZO2, mas nós, humanos, também temos.
*Dr. Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de BrasÃlia.
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