Inacreditável! Pesquisa mostra que quando as mulheres ganham mais que os homens, o trabalho de casa fica ainda maior para elas.

Joanna Syrda da Universidade de Bath, na Inglaterra, conduziu um estudo que mostrou que mulheres com filhos acabam ficando com mais trabalho doméstico quando passam a ganhar mais que seus maridos.


Isso mesmo. Estudo publicado por Joanna Syrda da Universidade de Bath na Inglaterra mostra que casais com filhos, em que a mulher ganha mais do que o homem, acabam fazendo a divisão do trabalho doméstico ainda mais desequilibrada. E esse desequilíbrio é no sentido de mais trabalho para a mulher. E estamos falando só de limpeza, cozinha e outros trabalhos domésticos, sem incluir qualquer trabalho com os filhos. Foram estudadas mais de seis mil famílias americanas num período de oito anos, todos os casais com relação heterossexual.

A racionalidade econômica sugere que o casal, especialmente aqueles que têm filhos, encontrará um equilíbrio ideal nas tarefas de casa quando se coloca no tabuleiro o tempo livre e ganhos de cada um. O homem ou a mulher quando precisam trabalhar mais horas e têm a chance de um ganho maior que seu cônjuge, tem uma justificativa até razoável de contribuir menos com as tarefas de casa. Mas o que Syrda apontou é que esse raciocínio parece ser válido só para os homens. Muitos casais partem de uma condição fora da norma, da mulher ganhando mais que o homem, promovendo simultaneamente um incremento da assimetria das atividades domésticas, o que permite parecerem, para si mesmos e para os outros, mais próximos da norma. E esse incremento de assimetria é a mulher cuidando ainda mais da casa que o homem, mesmo trabalhando mais e ganhando mais. Reafirmam assim identidades ameaçadas e aumentam a tradição que se espera de um casal.

Syrda lembra da importância do ajuste nessa divisão de participação no trabalho de casa, especialmente quando nascem os filhos. Um padrão de divisão disfuncional deve ser discutido já na sua gênese, pois depois de uma rotina estabelecida, tudo fica mais difícil de renegociar. Isso sem falar na experiência que os filhos terão assistindo essa divisão de trabalho sem sentido que poderá ser replicada quando chegarem à idade adulta. Ela conclui o artigo lembrando da revolução comportamental da década de 1960 que deveria, no longo prazo, vir a ter uma crescente participação dos homens nas atividades domésticas à medida que as mulheres estivessem na rua trabalhando, muitas das vezes, com salários superiores aos deles. Como reativar essa revolução?

Diante disso, finalizamos com o jargão que o homem não tem que ajudar sua mulher em casa. Tem sim é que fazer sua parte.  O homem tem que estar atento no que ela precisa, mesmo no meio de uma disputa. Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal. Ele filmou o cotidiano de milhares de casais para analisar suas interações e apresentou os resultados de forma quantitativa. Ele lembra que podemos aplicar a Teoria dos Jogos nas relações conjugais também.  A princípio, se um ganha dois pontos, o outro perde dois.  O equilíbrio em que ambos ganham, em que cada um sai com um ponto, aproxima-se mais do equilíbrio de Nash – John Nash Prêmio Nobel de Economia. Rubem Alves trouxe a ideia das relações como um jogo de frescobol. Se o outro erra, o prejuízo é dos dois. Por isso vale a pena jogar a bola com capricho para o outro. Tudo isso precisa de esforço de ambas partes.

 

Confira o áudio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a Rádio CBN Brasília: